Giovanni Sampaio pronto para ser candidato a governador e enfrentar Ciro
07/04/26 0:00

A filiação surpresa de Giovanni Sampaio na federação PRD-Solidariedade, sacramentada na última hora da janela partidária - às 23h da Sexta-Feira Santa - já provoca forte turbulência no cenário eleitoral cearense de 2026. Ao colocar o próprio nome à disposição para disputar o Governo do Estado, Giovanni se posiciona diretamente contra Ciro Gomes, elevando o tom da corrida pelo Palácio da Abolição e abrindo caminho para um confronto de alta intensidade política. Essa movimentação é vista como uma estratégia articulada dentro do PRD, partido que tem como principal liderança o deputado Junior Mano, cuja esposa Giordana Mano é candidata a deputada federal. A operação, no entanto, não passou despercebida e já provoca reações no PADB. Os tucanos sinalizam que não pretendem polarizar diretamente com Giovanni, mas deve concentrar sua artilharia contra Júnior Mano, considerado o fiador político dessa candidatura, ao lado de nomes ligados ao Abolição. No mesmo movimento, cresce a pressão sobre o senador Cid Gomes, acusado - por aliados de Ciro - de estar se mantendo em silêncio diante do lançamento dessa candidatura , com o objetivo claro de enfraquecer a campanha do seu irmão. Cid demonstra, ao não vetar o nome de Giovanni governador, que o vale tudo no jogo eleitoral está valendo. E Ciro precisa se conter dentro do futuro embate pelo governo do Ceará.

Missão de Giovanni é fazer Ciro perder cabeça

A possível candidatura de Giovanni Sampaio, pela federação PRD-Solidariedade, ao Governo do Ceará, começa a ganhar contornos estratégicos e pode se transformar em uma peça-chave no xadrez eleitoral de 2026. A avaliação é de que Giovanni entraria na disputa com um objetivo claro: tensionar diretamente o cenário eleitoral contra Ciro Gomes, tirando o ex-ministro da chamada “zona de conforto” e forçando-o a reagir aos ataques e provocações ao longo da campanha. A estratégia, ainda em discussão, teria um efeito colateral calculado: poupar o governador Elmano de Freitas de confrontos diretos com Ciro neste primeiro momento. Com isso, Elmano poderia manter uma postura institucional, evitando desgaste precoce, enquanto Giovanni assumiria o papel de enfrentamento mais duro. Esse movimento de Giovanni ainda pode funcionar como uma espécie de “linha auxiliar” no confronto político, deslocando o foco dos ataques de Ciro, para si. No entanto, há resistências internas: lideranças consideram essa operação arriscada, já que pode fortalecer o discurso de vitimização de Ciro ou até mesmo dar mais visibilidade ao ex-governador. A decisão final sobre a entrada de Giovanni Sampaio nas eleições ainda não foi tomada, mas o simples debate sobre essa possibilidade acirra os ânimos e antecipa o tom de uma eleição que promete ser marcada por tensão, ataques e conflitos.

Nelinho assume Podemos com aval de Cid e Camilo

A crise no Podemos no Ceará foi contornará pelo senador Cid Gomes. O presidente estadual Bismark Maia abandonou o cargo e se filiou ao PAB, por onde pode ser candidato a deputado federal. O seu filho, deputado Eduardo Bismark, não honrou a palavra com a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, se filiando ao PV, da Federação PT-PCdoB-PV, para concorrer a sua reeleição. Essas decisões da família Maia provocaram a ira de Cid Gomes. Na frente de Renata Abreu, na Sexta-feira Santa, numa ligação por vídeo, Cid disse que a ida de Eduardo Bismark para o PV não teve o seu apoio. E que ele agiu de modo errado. Como Renata Abreu ameaçava a candidatura de Ciro Gomes a governador, entrou em campo o plano “B” de Cid: tirar Nelinho Freitas do PRD, onde estava filiado após abandonar o MDB, e filiá-lo ao Podemos. Camilo endossou essa solução. A chegada do deputado Nelinho Freitas ao comando do Podemos no Ceará, articulada por Cid Gomes e com aval do Palácio da Abolição, redesenha o eixo político da sigla no Estado. Nelinho optou por se alinhar ao grupo do governador Elmano de Freitas, contrariando expectativas familiares — seu pai, Raimundinho da Funerária, defendia aproximação com o PSDB. Capitão Wagner o convidou para ser seu primeiro suplente na chapa de senador.

Nelinho deixa MDB pela porta dos fundos

Essa filiação de Nelinho Freitas ao Podemos gerou um impacto direto em bases municipais, como em Juazeiro do Norte, onde o prefeito Glêdson Bezerra é um dos principais nomes do Podemos. Tanto, que Glêdson filiou a sua esposa, Sandra Cavalcante, no Cidadania, por onde deve concorrer à Câmara Federal. Além disso, essa mudança inesperada no comando do Podemos deve respingar na federação PT-PV-PCdoB, já que a filiação de Eduardo Bismarck ao PV ocorre em meio a um ambiente de disputa por espaços. O episódio expõe um Podemos dividido, sob nova direção de um fragilizado Nelinho Freitas, que não teve o respaldo do seu pai, Raimundinho da Funerária, para assumir essa presidência estadual. Nelinho está também pressionado por disputas internas e externas, num momento decisivo de reorganização política para as eleições de 2026 no Ceará. Depois de garantir que permaneceria do MDB, depois que as cúpulas estadual e nacional do partido rejeitaram as filiações dos deputados federais, Mosés Rodrigues (União) e AJ Albuquerque (PP), Nelinho Freitas acabou deixando o MDB. A decisão foi avaliada como “traição” pela direção juazeirense. Até porque Nelinho assumiu a Câmara Federal por 120 dias, com cerca de R$ 10 milhões em emendas e teve a promessa de receber o teto para sua campanha, ou R$ 2 milhões.

Trabalho de Yuri no MDB foi todo esvaziado

 O trabalho de montagem da chapa de deputado federal do MDB no Ceará, liderado pelo deputado Yury do Paredão, sofreu um duro revés na véspera do fechamento da janela partidária. Articulações realizada pelo Palácio da Abolição, aliado ao trabalho do senador Cid Gomes, acabaram por esvaziar a estratégia de Yury eleger no mínimo 02 deputados federais. Peças importantes foram retiradas da construção do MDB: Vicente Aquino migrou para o PDT, Audic Mota foi direcionado ao PT e Nelinho Freitas assumiu o comando do Podemos no Ceará. Essas decisões redesenharam completamente o cenário e deixaram a chapa do MDB em situação fragilizada.

Com isso, restaram apenas Yury e Neném Coelho, e outros poucos candidatos, como a vereadora Jaqueline Gouveia. Apesar desse isolamento, impressiona a força eleitoral individual de Yury do Paredão, que mesmo em um cenário adverso é visto como capaz de garantir a sua própria reeleição, alcançando o seu objetivo de obter mais de 250 mil votos, número mais do que suficiente para o MDB superar o quociente eleitoral e reeleger Yury do Paredão.

Aloísio Brasil quer evitar confronto com Zé Ailton 

O ex-candidato a prefeito do Crato, Aloísio Brasil (União), vai disputar uma vaga de deputado federal. A decisão foi tomada após reunião com a base oposicionista do Crato e anunciada durante reunião com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) e Capitão Wagner (União), no sábado,04, em Fortaleza. Aloísio estava em dúvida sobre a disputa, apesar do acordo com o presidente da Câmara de Juazeiro, Felipe Vasques (PSDB), que disputa vaga de deputado estadual. O acordo é referendado pelo ex-prefeito Zé Adega (PL), sob avaliação de evitar uma disputa diretamente com o ex-prefeito Zé Ailton Brasil, apoiado pelo prefeito André Barreto (PT) e pelo ministro Camilo Santana, na briga por uma vaga na Assembleia Legislativa. Mas, independentemente do cargo que venha a concorrer, Aloísio terá o desafio de ser o mais votado do Crato, visando manter viva a chama de sua candidatura a prefeito em 2028. Porém, o desempenho do candidato Aloísio Brasil no Cariri tem riscos: perdeu apoios importantes, como os ex-prefeitos de Barbalha, Argemiro Sampaio e Rommel Feijó. Terá de compensar conquistando apoios em outros municípios do Cariri, e mesmo fora da região.

Disse me disse…

O presidente da Câmara de Juazeiro, Felipe Vasques, se filiou ao PSDB e é apontado como o candidato favorito no ninho tucano para ser o deputado estadual mais votado. O PSDB aposta que elegerá 07 estaduais.

. Em Juazeiro, ninguém entendeu a saída de Nelinho Freitas do MDB. A provável explicação: Nelinho não teria suportado a pressão do pai, que queria vê-lo votando em Ciro.

. Após trair o presidente do MDB, Eunício Oliveira, Nelinho publicou nota tentando explicar o inexplicável, ao dizer que a motivação foi apenas viabilidade eleitoral. O problema é que Nelinho tinha mais chances no MDB do que terá no Podemos.

. O vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Tarso Magno (PP), acabou decidindo disputar uma vaga de deputado estadual. Tarso quer ser a segunda opção para a base do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos).

. Glêdson já definiu apoio ao presidente da Câmara, Felipe Vasques (PSDB), para a disputa de deputado estadual. Na verdade, a candidatura de Tarso acaba abalando a relação eleitoral de Glêdson com Felipe.

Luizianne Lins se filiou à Rede Sustentatibilidade, que faz federação com PSOL. Se quiser ser candidata ao Senado, entra na vaga da candidata Anna Carina. Professor Germano Lima é o outro candidato a senador do PSOL, já escolhido.

Presidente Lula teve reunião nesta segunda (06), com José Guimarães. A pauta foi a defesa feita por Lula, em sua passagem pelo Ceará, na semana passada, de que o PT como tem o candidato a governador deveria abrir mão das duas vagas ao Senado.

Guimarães está irredutível. Disse a Lula que tem todas as conduções de ser candidato a senador. O problema: Cid Gomes tem uma vaga e a outra seria de Eunício Oliveira, apesar de Chiquinho Feitosa ainda não ter desistido de ser candidato e brigar também por esse lugar.

Desculpe a ignorância, uma disputa eleitoral entre Giovanni Sampaio e Ciro Gomes vai acabar no hospital ou na delegacia?

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