Semana discute memória, fé e resistência da Beata Maria de Araújo
Iniciativa será realizada entre os dias 18 e 24 de maio
Foto: Prefeitura de Juazeiro do Norte/ Divulgação
Joaquim Júnior
10/05/26 15:42

Silenciada em vida, quase apagada após a morte. A Beata Maria de Araújo, que protagonizou o famoso milagre da hóstia ao lado do Padre Cícero, foi enclausurada e silenciada. Mais de um século depois, a memória dela permanece mais viva do que nunca. Para celebrar sua vida e debater questões como o racismo estrutural, a 3ª Semana Beata Maria de Araújo, realizada no Cariri entre os dias 18 e 24 de maio, abordará questões como a desigualdade de gênero e os mecanismos de apagamento histórico. O evento, reconhecido por leis, integra o calendário oficial de Juazeiro do Norte e do estado do Ceará.

Como André de Andrade, membro do Movimento Pró-memória da Beata Maria de Araújo, a religiosa sofreu consequências como a clausura, e mesmo após sua morte teve seu túmulo violado. “O que sobrou dos seus restos mortais, até o momento atual, tem  rumo ignorado”, lembra. Ele cita, ainda, que ela sofreu um silêncio imposto pela Igreja teve sua memória violada, fatores que prejudicaram seu destaque na história local como cidadã juazeirense e, como acredita o estudioso, até mesmo em ser considerada a mais importante do século XX.

“Ao reconhecer Maria de Araújo como mulher negra, educadora catequista, artista artesã, heroína espiritual da Guerra de 1914, pioneira da filantropia e benfeitora das casas de caridades da região, religiosa e protagonista, confronta-se diretamente a lógica que a excluiu dos currículos, das narrativas oficiais e das homenagens públicas”, menciona André.

Memória e devoção

A devoção popular à personagem histórica tem aumentado no decorrer do tempo, graças ao fortalecimento de sua imagem. Entre pontos que contribuíram para isso, estão a instalação das estátuas da Beata Maria de Araújo, Padre Cícero e Monsenhor Murilo na Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte; o empenho de pessoas como o artista Carlos Gomide, integrante do movimento, que passou a distribuir, a preço popular, a imagem dela entre a população e os romeiros; e a recente criação de um espaço sobre a Beata na Fundação Memorial Padre Cícero.

O aumento de pesquisas que levantam discussões sobre Maria de Araújo também dão mais visibilidade à sua história e a tudo que a circunda: preconceito, racismo, apagamento etc. São inúmeros os estudiosos que, entre teses e dissertações, apresentam um estudo mais aprofundado sobre a religiosa.

Desta forma, a III Semana surge como um convite à população, mostrando que o tempo do silêncio acabou. “Precisamos informar isso ao povo de Juazeiro, aos romeiros e aos estudantes, dizer que podemos falar hoje abertamente do milagre. O padre Cícero já teve sua conciliação com a Igreja Católica, é o Servo de Deus e em breve será canonizado. Será também uma questão necessária a Igreja se pronunciar sobre a Beata Maria de Araújo”, enfatiza André.

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