Maio Laranja reforça combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
A cada hora, três crianças são abusadas no país
Foto: Ascom Juazeiro do Norte
Joaquim Júnior
17/05/26 15:54

O acompanhamento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual ganha reforço neste mês, com a campanha Maio Laranja. Nesta segunda-feira (18), no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Governo Federal mostra dados que apontam uma realidade cruel no Brasil: a cada hora, três crianças são abusadas. Cerca de 51% das vítimas têm entre 1 e 5 anos de idade. Por ano, em média 500 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente, e levantamentos apontam que somente 7,5% dos dados são denunciados às autoridades.

Em Juazeiro do Norte, os casos de abuso sexual lideraram os registros de violações de direitos de crianças e adolescentes em 2025, representando 32% do total. Em seguida, aparecem os casos de negligência (24%), violência física (21%), violência psicológica (15%) e trabalho infantil (8%). De acordo com Fernando Medeiros, diretor da Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, o perfil predominante das vítimas atendidas é de meninas menores de 13 anos, pertencentes às classes D e E.

Como explicou, a articulação da rede de proteção entre os diferentes setores ocorre por meio de encontros, construção de fluxos, estudos de casos, visitas institucionais, encaminhamentos e contrarreferências Entre os principais desafios apontados pelo diretor, estão a integração das diversas políticas públicas, a superação de estigmas e culturas adultocêntrica e machista, além das desigualdades sociais e da fragilidade do sistema de justiça.

Em Barbalha, segundo Ana Maria, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), atualmente 18 casos relacionados à violência sexual de crianças e adolescentes são acompanhados através do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a famílias e Indivíduos (Paefi). Negligência e abandono lideram os tipos de violência registrados no município.

“A rede se articula através de encaminhamentos com referência e contrarreferência, e a depender da complexidade do caso, são realizados estudos de caso entre os profissionais”, explica a coordenadora. Segundo ela, o principal desafio é estabelecer um fluxo onde não haja “furos” na rede. Outro entrave está relacionado à mudança constante de profissionais nos equipamentos.

Em Crato, de acordo com dados repassados pelo Conselho Tutelar, foram registrados 92 casos no decorrer de um ano. No município, o gênero feminino também foi a maior parte das vítimas. O órgão atua junto a parceiros da rede de proteção que, quando necessário, são contatados para a continuidade do atendimento. Entre os principais desafios está a implantação de um novo conselho tutelar, dado o tamanho do território de cobertura. Outro agravante é o recebimento de cobranças que não são específicas do conselho tutelar.

A violência, os crimes cibernéticos, a exposição de crianças e adolescente, a exploração infantojuvenil também são apontados como desafios. Como apontam, é necessário o fortalecimento dos vínculos familiares, assim como uma rede de proteção atuante, assim como o apoio da sociedade para alcançar o objetivo que é a proteção integral das crianças e dos adolescentes.

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