Aquíferos do Cariri apresentam rebaixamento médio de 6m de águas subterrâneas
Companhia afirma que há risco de exaustão dos aquíferos
Foto: Cogerh
Joaquim Júnior
16/06/26 8:30

A maior parte dos 24 poços localizados na Bacia Sedimentar do Araripe, nos municípios de Abaiara, Barbalha, Brejo Santo, Crato, Juazeiro do Norte, Mauriti, Milagres, Missão Velha e Porteiras, apresenta rebaixamento do nível de águas subterrâneas. Os dados consideram o comparativo da série histórica (2009-2025) obtido por meio de monitoramento com Datalogger, realizado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).

No período analisado, 16 dos 18 poços ativos em agosto de 2025 apresentaram rebaixamento do nível d’água, em alguns casos de forma expressiva, quando comparados aos valores iniciais registrados em agosto de 2009. No geral, estes poços tiveram um rebaixamento médio de 6,42m, com 0,50m de mínimo e 14,87m de máximo, e 4,43m de mediana.

Segundo a Cogerh, o monitoramento contínuo de aquíferos, por meio de isótopos estáveis como ferramenta de análise do ciclo hidrológico em regiões semiáridas, é um grande desafio. Para realização de estudos, foi firmado um convênio com a Universidade Estadual Paulista, para monitoramento dos aquíferos na região do Cariri, onde fica a maior reserva de águas subterrâneas do Ceará. Os resultados do projeto, considerado inovador, indicaram a necessidade da criação de rotinas e metodologias bem estabelecidas, tanto de campo, quanto de controle laboratorial.

Diante do aumento da população, o que demanda maior consumo de água, a companhia afirma que há risco de exaustão dos aquíferos, caso ocorra o uso descontrolado e as taxas de explotação sejam acima das taxas de recarga anuais. Em algumas áreas do Vale do Cariri, a recarga pela chuva ocorre na mesma proporção da retirada de água, garantindo renovação em escala anual. Já em regiões onde a explotação é maior, desde os anos 2000 se extrai água muito antiga, chamada de “água fóssil”, que não se renova rapidamente.

“O comportamento observado ao longo dos últimos anos reforça a tendência regional de depleção piezométrica (indicando rebaixamento dos níveis d’água) associada ao aumento da demanda hídrica e à intensificação da explotação subterrânea ao longo do período analisado (2009-2025)”, relata. Os poços com maiores rebaixamentos (acima de 10 metros) estão relacionados às operadoras locais de saneamento ou a grandes áreas irrigadas. Além disso, impermeabilização do solo causada pela urbanização reduz a infiltração da água da chuva no solo.

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