Urnas do Cariri mostram força da base governista e avanço da oposição
Proximidade com a base governista representa um ativo relevant
Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil
Madson Vagner
12/10/26 15:45

O resultado da eleição do dia 4 mexe pouco no cenário político do Cariri, mas deixa um recado importante para as próximas disputas municipais: a proximidade com a base governista representa um ativo relevante, mas não garante sucesso nas urnas em 2028. A diferença dada pela reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) e derrota da oposição, com Ciro Gomes (PSDB), pode ser revertida na disputa nacional, no segundo turno.

A vitória de candidatos ligados à base governista manteve a presença expressiva do campo político na Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), mas viu a ascensão da oposição ao Legislativo estadual. O objetivo governista era aumentar a bancada do Cariri, o que não aconteceu.

Na Câmara, o Cariri contará com Yury do Paredão (MDB), reeleito, e Fernando Santana (PT), eleito para um primeiro mandato federal. Um terceiro nome, invariavelmente citado como caririense, o deputado federal reeleito Idilvan Alencar (PSB), não pode ser considerado da região, por não ter domicílio eleitoral em nenhum dos municípios.

Na Alece, a representação regional será formada por Davi de Raimundão (MDB), Guilherme Landim (PSB) e Felipe Vasques (PSDB). O resultado coloca a base governista em posição favorável na articulação política regional. Entretanto, mostra uma oposição ampliando sua força. Mesmo sem garantir a eleição de nomes como Sandrinha Cavalcante (Cidadania) e Aloísio Brasil (União), o grupo se mantém vivo politicamente.

Na esfera federal, é preciso esperar o resultado da eleição, em segundo turno, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o nome da oposição, Flávio Bolsonaro (PL). Uma mudança no comando do Palácio do Planalto pode mudar a relação de poder entre oposição e governistas no Cariri.

Ainda assim, a política local não se resume à relação com os governos estadual e federal. A avaliação da administração municipal, a articulação entre vereadores e partidos, a popularidade dos possíveis candidatos e a capacidade de reunir grupos distintos continuarão sendo fatores fundamentais.

Oposição

Segundo colocado em Crato, com mais de 8 mil votos, Aloísio deve disputar a eleição de prefeito em 2028, com o mesmo desafio de ampliar a influência política do seu grupo no município. Em Juazeiro, o resultado de 19 mil votos para Sandrinha Cavalcante, primeira-dama do município, ficando em terceiro lugar, representa um revés para o grupo do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), sobretudo por ser uma candidatura que funcionaria como instrumento de ampliação política regional.

O resultado em Juazeiro é um sinal de alerta, mas sua dimensão é regional, não local. O capital político acumulado pelo prefeito Glêdson não desaparece automaticamente após uma derrota eleitoral, nem tampouco pode ser considerado intacto. A vantagem do grupo governista continua na articulação de demandas regionais junto ao governo estadual.

Em Barbalha, a influência dos parlamentares ligados ao governo, como Fernando Santana, será um ativo importante. O grupo oposicionista local não apresentou candidaturas próprias, mas seus nomes – Fernanda Pessoa, André Fernandes e Sandrinha Cavalcante – na disputa de federal, por exemplo, ficaram bem colocados.

A eleição de Felipe Vasques oferece ao campo uma representação estadual e o fortalecimento de uma plataforma para atuação política. Mas, tudo dependerá da capacidade de construir uma rede regional, estabelecer diálogo com lideranças municipais e apresentar propostas que ultrapassem o simples discurso de oposição ao governo.

Base aliada

Deputados ou lideranças com acesso às estruturas administrativas e às instâncias de poder podem oferecer aos municípios canais adicionais para viabilizar projetos e investimentos em áreas como em setores estratégicos, facilitando a discussão para sucessão municipal. Esse cenário, contudo, não deve ser confundido com controle automático das prefeituras.

Além disso, o bloco governista não pode ser considerado inteiramente homogêneo. Yury do Paredão, Fernando Santana, Davi de Raimundão e Guilherme Landim possuem trajetórias, bases eleitorais e interesses próprios. A união dependerá da capacidade de construir alianças em torno de candidaturas competitivas.

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