Cariri registra seca moderada em meio ao avanço da estiagem no Ceará
Seca atinge 89% do Ceará e Cariri apresenta maior intensidade
Foto: Funceme
Robson Roque
26/10/26 16:32

A seca voltou a avançar no Ceará e já alcança mais de 89% do território estadual. No Cariri, o cenário é mais preocupante: a região é a única a registrar áreas classificadas com seca moderada, conforme o Monitor de Secas referente a setembro. A mudança ocorre após uma melhora expressiva no primeiro semestre de 2026, quando a área afetada caiu para 30% em junho e julho. Em agosto, a estiagem já atingia 88% do estado.

Conforme o mapa, Várzea Alegre e Lavras da Mangabeira estão classificadas como sem seca relativa, enquanto Abaiara, Aurora, Caririaçu, Farias Brito, Granjeiro, Juazeiro do Norte e Milagres em seca fraca. As demais 20 cidades caririenses enfrentam situação de seca moderada, a exemplo de Crato e Barbalha.

A redução das chuvas contribuiu para a expansão do fenômeno. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o segundo semestre é naturalmente menos chuvoso no Ceará, após o encerramento da quadra chuvosa, entre fevereiro e maio. A média estadual de precipitação caiu para 15,4 milímetros em julho, 4,9 milímetros em agosto e apenas 2,2 milímetros em setembro.

“Com a diminuição das precipitações, a umidade do solo tende a cair e os recursos hídricos deixam de receber a mesma reposição observada durante a estação chuvosa”, destaca a Funceme. Ainda segundo o órgão, “a elevada evaporação característica do Ceará contribui para a redução da umidade do solo e dos níveis dos reservatórios quando as chuvas são insuficientes”.

A evolução do quadro nos próximos meses dependerá da ocorrência de chuvas e de seus efeitos sobre a umidade do solo e os recursos hídricos. Precipitações pontuais podem melhorar as condições em áreas específicas, mas não necessariamente revertem de imediato os déficits acumulados.

Apesar do avanço da seca, a região do Cariri registra o terceiro maior volume de chuvas do Ceará em 2026, com 898 milímetros acumulados, atrás do Litoral de Fortaleza, com 1.065 milímetros, e do Litoral Norte, com 995 milímetros. A região não figurava entre as três com maiores volumes de precipitação no estado desde 2022.

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