Região do Cariri não registra crimes contra indígenas em 2026, aponta SSPDS
Levantamentos comparativos apontam uma tendência de redução
Foto: Governo do Estado do Ceará
Regy Santos
21/04/26 10:00

O número de crimes contra povos indígenas no Ceará apresentou crescimento em 2024, segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário. Apesar do aumento registrado no Estado, municípios do Cariri, como Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Santana do Cariri e Jardim, não registraram ocorrências desse tipo no primeiro trimestre de 2026, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Estado.

Levantamentos comparativos apontam uma tendência de redução nos últimos anos. No Crato, por exemplo, foram contabilizadas quatro ocorrências em 2024, contra apenas uma em 2025. Em Juazeiro do Norte, os registros caíram de três casos em 2024 para um em 2025. Nos demais municípios da região, a diminuição também vem sendo observada ao longo dos últimos quatro anos.

De acordo com o Censo 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mais de 1.200 pessoas indígenas vivem em cidades do Cariri. O Crato concentra a maior população indígena da região, com 353 pessoas, seguido por Juazeiro do Norte e Jardim, com 351 e 121, respectivamente.

Mesmo com a redução local recente, o cenário nacional em 2024 foi considerado preocupante. O período marcou o início da vigência da Lei nº 14.701/2023, conhecida como “Lei do Marco Temporal”, que trata da demarcação de terras indígenas e gerou controvérsias jurídicas e políticas em todo o país.

Segundo o relatório do Cimi, a manutenção da lei ao longo de 2024 contribuiu para ampliar a insegurança jurídica e territorial, além de dificultar o avanço nos processos de reconhecimento e regularização de terras indígenas. A expectativa de organizações indígenas era de que a norma fosse rapidamente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal, o que não ocorreu no período analisado.

Ainda conforme a publicação, o contexto de incertezas favoreceu o aumento de conflitos, invasões de territórios, ameaças e outras formas de violência contra comunidades indígenas em diversas regiões do Brasil. No Ceará, autoridades afirmam atuar de forma integrada para garantir a segurança das comunidades indígenas, especialmente em áreas com maior concentração populacional. Para a secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves, conhecida como Cacika Irê do povo Jenipapo Kanindé, a data dedicada aos povos indígenas vai além de uma homenagem.

“Comemorar o Dia dos Povos Indígenas vai muito além de celebrar. É reconhecer que esses povos estão vivos, são diversos e seguem lutando por território, direitos e autonomia, além de contribuírem significativamente com a cultura, a política e a preservação do meio ambiente”, destacou.

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