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Jogo do bicho e apostas virtuais continuam desafiando a polícia
Bancas mantinham atividade na clandestinidade em cidades onde ocorreu a operação
Foto: SSPDS
Jornal do Cariri
23/11 0:00

Uma mega operação, com 203 agentes da Polícia Civil no cumprimento de 97 mandados judiciais, sacudiu a região do Cariri na última semana. Um dos maiores esquemas de contravenção penal e corrupção, envolvendo políticos e servidores públicos do Cariri, não foi suficiente para paralisar a exploração de jogos de azar, foco das investigações. Denúncias apontam para o funcionamento de pelo menos três bancas entre as sete investigadas por prática de jogo do bicho e apostas virtuais.

Para manter as atividades, as bancas apostaram na clandestinidade em cidades onde ocorreu a operação e mantiveram as atividades normais em municípios vizinhos. Os endereços da administração e apuração foram mudados e, segundo informações, os cambistas atendem somente a apostadores conhecidos.

Nas cidades foco das investigações, as bancas investiram na chamada camuflagem. Grande parte dos cambistas atua, também, como vendedores de título de capitalização comercializado na região. Para ocultar ainda mais a atividade, nomes e tabelas foram retirados dos pontos móveis. Em cidades como Caririaçu, Farias Brito e Missão Velha, os jogos continuam sem qualquer restrição.

A operação, deflagrada no dia 18, cumpriu 43 mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens, fundos de investimentos e contas bancárias em Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Várzea Alegre e Fortaleza. A investigação revelou a participação de 52 pessoas, entre políticos, empresários, servidores públicos e laranjas, em uma organização criminosa que movimentou cerca de R$ 400 milhões, entre os anos de 2014 a 2020.
Em coletiva de imprensa, o delegado Giuliano Sena, titular da Delegacia de Combate à Corrupção no Cariri, disse que a investigação iniciou em 2019, com o desmembramento da operação “Etros”, com foco na atividade do jogo do bicho. Segundo ele, com o decorrer da investigação é que foram identificadas as participações de vereadores e familiares na contravenção.
Giuliano disse que todo o material apreendido será periciado e que não se descartam novas descobertas, inclusive a inclusão de novos políticos. Sobre o afastamento de vereadores, o delegado disse que dois deles foram por participação em fraude à licitação, sublocação de contratos, além de tráfico de influência.

O delegado chama a atenção para a interligação dos crimes contra o patrimônio público e a prática de jogos de azar. “São várias organizações criminosas que são interligadas entre si. Algumas só de exploração do jogo do bicho, outras só de crimes contra a administração pública e entre elas os dois tipos de crimes, mas todas se interligam”, disse.

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