Polícia fecha o cerco contra facções no Cariri
Polícia se une em ações integradas
Foto: SSPDS
Robson Roque
20/01/26 0:00

As polícias que atuam no Cariri unem forças no combate ao crime organizado. Embora estatísticas oficiais atestem a redução de crimes como homicídios, furtos e roubos, além do aumento nas apreensões de arma de fogo nos últimos anos, o crime organizado e as facções criminosas estão cada vez mais presentes nos municípios da região. Na semana passada, 10 pessoas foram mortas, seis delas em confronto com a polícia, sendo quatro em Crato e duas em Barbalha. Outras duas mortes estão sob investigação, em Juazeiro e Milagres, nos dias 18 e 19, respectivamente.

Os quatro mortos durante operação policial no Bairro Pantanal, em Crato, tinham 19, 23, 25 e 29 anos, além de extensas fichas criminais. Juntos, eles acumulavam registros como crimes de trânsito, uso de identidade falsa, receptação e ameaça; porte ilegal de arma de fogo, violência doméstica, roubos, corrupção de menores e associação criminosa; além de delitos mais graves, como tráfico de drogas, associação para o tráfico, tentativas de homicídio e homicídios. Durante a operação, um homem e uma criança, moradores da localidade, saíram feridos de raspão. “As vítimas, inclusive, reconheceram os indivíduos [mortos no confronto] como autores dos disparos”, diz o capitão Goiana, que comanda o CPRaio em Crato. 

Ainda em Crato, quarta-feira (14), dois homens foram mortos a tiros, em crimes distintos, nos bairros Muriti e Seminário. Uma das vítimas era um adolescente de 15 anos. O outro, um homem de 23. Já em Barbalha, dois adolescentes, de 16 e 17 anos, também morreram em confronto com policiais militares quando atiraram contra uma composição ao serem abordados no Conjunto Nassau. No mesmo dia, um rapaz de 24 anos foi morto a tiros no bairro Bela Vista. Familiares declararam que ele não havia se envolvido em conflitos. 

Conflito entre facções

O comandante da Polícia Militar (PM) em Crato, capitão Marcos Paulo, detalhou que as quatro mortes por intervenção policial no Crato são resultado de conflito entre grupos criminosos rivais em busca de expansão de território para o tráfico de drogas. “Neste conflito, eles ficam fazendo ações uns contra os outros, na busca de ocupar espaço. Só que, diante dessas ações, a Polícia Militar vem acompanhando e o resultado foi o que aconteceu”, comentou. 

O comandante da PM disse que a corporação vem “intensificando as patrulhas nos locais de maior índice de crimes” e tranquilizou a população do Crato em relação aos casos de violência na cidade. Ele pondera que não há motivo para que as pessoas se preocupem ou mudem suas rotinas. “É um conflito de quem se envolve em crime. Então, se você não está envolvido em crime, e não anda com quem comete crimes, fique tranquilo. Estamos aqui para proteger e vamos conseguir”.

No sábado seguinte à operação policial, o prefeito do Crato, André Barreto (PT), e o secretário municipal de Segurança Pública, Werisleik Pontes, estiveram no bairro Pantanal, onde ocorreu o confronto entre policiais e suspeitos. Ao classificar a atuação da PM como uma “ação firme”, o prefeito declarou que dará apoio às forças estaduais e municipais de segurança no combate ao crime. “Criminoso, aqui no Crato, não vai ter trégua”, assegurou André Barreto.  

Redução de crimes

Na comparação entre 2024 e 2025, a região do Cariri registra uma redução de 10% nos homicídios, passando de 230 para 207; uma queda de 8% nos furtos, passando de 4.809 para 4.422; e uma diminuição de 15% dos roubos, que caíram de 1.263 para 1.070. Além disso, as apreensões de armas saltaram 37% nos dois anos: de 549 para 750. No mesmo período, os homicídios tiveram queda de 15% em Crato, 5% em Juazeiro do Norte e um aumento de 12% em Barbalha. Enquanto furtos caíram 16% no Crato e 13% em Juazeiro, aumentaram quase 50% em Barbalha. Os roubos caíram na ordem de 25%, 18% e 16% no Crajubar, e as apreensões de armas aumentaram em 21%, 41% e 49%.

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