Negligência e abandono lideram violações contra idosos no Crajubar
Canais de denúncia ampliam registros na região
Fotos: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Joaquim Júnior
30/06/26 8:50

Dados apresentados pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih) apontam que 337 violações de direitos às pessoas idosas foram registradas no ano de 2025, nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Entre 1º de janeiro e 1º de junho de 2026, foram registradas 22 violações. O mapeamento leva em consideração dados do Observatório de Indicadores Sociais (Oisol) da Secretaria da Proteção Social.

Como apresenta a Secretaria, a tendência de aumento no número de registros se deve muito às campanhas de conscientização e reforço nas ações de enfrentamento às violações. “Ainda demoraremos até que a tendência seja de redução das violências, pois ainda temos muita subnotificação”, pontua a pasta. No Ceará, as denúncias podem ser feitas gratuitamente para o Disque 100, que funciona 24h por dia e todos os dias da semana. Também recebem denúncias órgãos como os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Especializados de Assistência Social (CREAS), Delegacias da Polícia Civil, Ministério Público e Defensoria Pública.

Embora os municípios adotem metodologias distintas de registro, as informações repassadas pelas redes de proteção indicam que as violações mais recorrentes contra pessoas idosas no Crajubar envolvem negligência, abandono, violência psicológica e patrimonial, além da apropriação indevida de benefícios previdenciários. Também são relatadas situações de isolamento social, conflitos intrafamiliares e fragilização dos vínculos familiares e comunitários.

Em Crato, dados repassados pela Secretaria de Assistência Social apontam que, no ano de 2025, 105 casos de violência foram notificados pelo Creas. Em 2026, entre janeiro e junho, o número chegou a 58 casos. Atualmente, 94 idosos e familiares são acompanhados pelo Centro de Referência devido à violação de direitos. Entre os principais desafios existentes, a Secretaria aponta a subnotificação dos casos de violência; a necessidade de fortalecimento das redes de apoio e cuidado às pessoas idosas; a sensibilização da sociedade para o enfrentamento do preconceito e da discriminação relacionados ao envelhecimento; e o fortalecimento das ações preventivas e da articulação intersetorial.

Os números divulgados pela Sedih e os dados apresentados pelos municípios não são diretamente comparáveis, pois são produzidos a partir de metodologias e bases de dados distintas. O levantamento estadual reúne informações do Oisol, enquanto os municípios também incluem registros e acompanhamentos realizados pelos equipamentos da rede local de proteção.

A tendência observada no Crato também é percebida nos demais municípios do Crajubar. Em Juazeiro do Norte, de acordo com Julia Pinheiro, Secretária Executiva dos Conselhos Setoriais da SAS, observa-se um aumento gradual no número de denúncias registradas. Segundo ela, o crescimento não está necessariamente relacionado ao aumento dos casos de violência, mas à ampliação das estratégias de divulgação dos canais de denúncia e ao fortalecimento da rede de proteção.

Cátia Grangeiro, coordenadora do Centro de Referência do Idoso (CRI) de Juazeiro do Norte, afirma que diversas ações são desenvolvidas no equipamento para prevenção e combate à violência contra a pessoa idosa. Entre elas, estão ações educativas e de conscientização, fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, escuta qualificada e acolhimento e articulação da rede de proteção. O equipamento se configura como um canal direto e acessível para o recebimento de denúncias relacionadas a violações de direitos contra a pessoa idosa.

Em Barbalha, o secretário Executivo dos Conselhos, Junior Landim, conta que as ocorrências mais frequentes no município envolvem negligência familiar, abandono, violência psicológica e patrimonial, além de conflitos intrafamiliares e isolamento social. Além das ações de proteção e garantia de direitos, ele cita que Barbalha também se destaca pela captação de recursos para o Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, que financia projetos voltados ao envelhecimento ativo, inclusão social e fortalecimento da rede de atendimento.

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