Chapa “Capilu” vira ameaça à reeleição de Cid Gomes
18/08/26 21:56

A campanha para o Senado começa a produzir um cenário que preocupa diretamente Cid Gomes . O crescimento do movimento pela dobradinha Capitão Wagner e Luizianne Lins, já apelidada nos bastidores de “Capilu”, transforma a disputa pelas duas vagas em uma ameaça concreta ao projeto de reeleição do senador Cid Gomes.

O movimento ganhou musculatura nesta terça (18), com a adesão do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, à dobradinha Wagner-Luizianne. Maracanaú é o terceiro maior colégio eleitoral do Ceará. Outros prefeitos, como Nonatinho Silva, de Itapajé, e Patrícia Barreto, de Irauçuba, também já declararam apoio a Capitão Wagner.

Há, ainda, um componente particularmente delicado para Cid: Sobral. O grupo político do prefeito Oscar Rodrigues, adversário histórico dos Ferreira Gomes, tem interesse direto na derrota eleitoral do senador. Assim, dois importantes polos municipais — Maracanaú e Sobral — tornam-se centros de resistência à reeleição de Cid.

O perigo da “Capilu” está justamente na capacidade de atravessar as fronteiras tradicionais entre situação e oposição. Luizianne busca votos no eleitorado lulista e petista, enquanto Capitão Wagner disputa uma faixa mais conservadora e oposicionista. Se essa combinação ganhar adesões municipais, Cid pode acabar comprimido entre duas candidaturas com bases eleitorais diferentes.

E existe um problema adicional: Ciro Gomes. Nesta terça, durante entrevista à TV Jangadeiro, Ciro voltou a elevar o tom contra o irmão, classificando como “lamentável” o comportamento político de Cid. A ruptura entre os dois deixou de ser apenas um drama familiar e passou a integrar diretamente a campanha eleitoral. Ciro está engajado não apenas em sua própria eleição para governador. Politicamente, uma derrota de Cid para o Senado representaria também uma derrota do irmão que decidiu permanecer no campo governista e se afastar definitivamente de seu projeto político. Meses atrás, Cid já havia tornado pública sua decisão de não apoiar Ciro e afirmado que permaneceria no grupo político ao qual está ligado atualmente. É aí que mora o maior risco para Cid: a formação de uma frente informal de adversários que, mesmo apoiando candidatos diferentes ao Governo, convergem em um objetivo — impedir sua reeleição. A eleição para o Senado, portanto, começa a ganhar uma campanha própria dentro da campanha estadual.

E a “Capilu”, que nasceu como uma dobradinha improvável, pode acabar se transformando no maior pesadelo eleitoral de Cid Gomes. Sem se esquecer, que a candidatura de Alcides Fernandes começa a ganhar força, usando o prestígio e a liderança de seu filho, deputado André Fernandes.

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