Audiência pública alerta para avanço da violência contra mulheres
Cariri registra 2,4 mil casos de violência contra mulheres em sete meses
Foto: Reprodução do YouTube
Robson Roque
31/08/26 17:20

A violência contra mulheres foi tema de audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, com participação do poder público, sociedade e sistema de Justiça. Levantamento do Jornal do Cariri revela a dimensão do problema: entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 2.407 casos relacionados à Lei Maria da Penha, 55% das 4.412 ocorrências de todo o ano passado.

Desde 2025, a região soma 12 feminicídios: três em Juazeiro, dois no Crato, dois em Barro, dois em Missão Velha, dois em Barbalha e um em Várzea Alegre. Neste ano, foram quatro casos: dois em Barro, um em Barbalha e um em Missão Velha.

Titular do Juizado de Violência Doméstica do Crato, a juíza Maria Lúcia Vieira classificou o cenário como “uma verdadeira epidemia”. “O combate à violência é da conta de todos nós. Não podemos naturalizar nem minimizar o problema”, disse. Sobre a subnotificação, afirmou que “apenas 10% dos casos de violência chegam ao conhecimento das autoridades”. Para ela, “temos que denunciar para que esses 90% de agressores que estão protegidos pelo silêncio sejam revelados”.

Psicóloga da Casa da Mulher, Macedônia Félix defendeu a prevenção desde a infância: “Já tem mais de 20 anos que a Psicologia vem apontando para a Educação, desde a infância, como uma possibilidade de não estarmos contando os corpos das mulheres que tombam pela violência”.

O investigador André Dantas alertou: “O feminicídio é o cume de uma montanha que já está sendo subida há bastante tempo”. Para a presidente da Câmara em exercício, Pergentina Jardim, é preciso articulação: “Nossa intenção não é fazer mais uma ação ligada ao enfrentamento da violência, mas unir os poderes em detrimento da proteção”.

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