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Procura por atendimento em mastologia dobrou em 2021
Foto/Divulgação: Sociedade Brasileira de Mastologia
Geneuza Muniz
12/10 14:00

Na Região do Cariri, diversas campanhas vêm sendo implementadas para ampliar o acesso das mulheres aos exames básicos de prevenção ao câncer de mama. Além das prefeituras, instituições privadas também têm se empenhado na causa. A procura pelo atendimento em 2021 teve um aumento de 700% em relação ao ano anterior.

Em Juazeiro do Norte, durante todo esse mês, a prefeitura estará realizando ações voltadas para o Outubro Rosa. A abertura oficial aconteceu dia 04 de outubro, com uma oficina sobre prevenção ao câncer de colo do útero, com o Dr. Rildo Sobral, em uma universidade privada. Também serão promovidas ações como a realização de exames de papanicolau, no turno da noite, tanto no Hospital Estefânia Rocha Lima, como nas Unidades de Saúde da Família (USF). No dia 20 de outubro, terá um dia de ação na Praça Padre Cícero, com a realização de testes rápidos, ofertas de mamografia e limpeza de pele.

Em Crato, todas as UBS estão com ações voltadas para a campanha, com realização de atividades educativas, exames citopatológicos e de mama, incluindo atendimentos noturnos para atender mulheres que trabalham durante o dia.

A prefeitura de Barbalha também tem promovido campanhas para conscientizar as mulheres a atualizar seus exames, principalmente a mamografia, de forma gratuita através da Secretaria de Saúde. Na programação de Barbalha, de acordo com a assessoria do Município, estão previstas ações educativas em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS). As servidoras municipais também serão beneficiadas com as ações. Na Policlínica, no dia 16, será promovido o Dia D de atendimento às barbalhenses. O Hospital Santo Antônio também realizará duas cirurgias de reconstrução de mama para pacientes que tenham sido mastectomizadas. A inscrição e regulamento para participar da ação estão disponíveis nas redes sociais da instituição.

Segundo o médico mastologista e cirurgião de mama, João Paulo Mendes, que atua na policlínica em Barbalha, “houve um aumento de 700% no número da procura por atendimento esse ano, em relação a 2020. No ano passado, foram 67 consultas e esse número subiu para 500”. A pandemia de Covid-19 provocou o receio de muitas pacientes em procurar um médico, as pessoas ficaram mais reclusas em suas residências, até mesmo sem ir ao médico e a oferta do serviço também foi mais restrita. O médico ainda complementa que “o câncer de mama é a principal causa de morte de mulheres. O diagnóstico precoce possibilita tratamentos menos agressivos e as chances de cura podem chegar até 95%”.

O Jornal do Cariri conversou com Ledi Linhares, 56 anos, autônoma, que foi acometida pelo câncer de mama duas vezes. Em 2013, ela descobriu o primeiro através de uma mancha no mamilo e, em 2015, ela descobriu o segundo através de outro nódulo, que após os exames confirmou-se que era outro câncer. “Assimilar essa notícia é a coisa mais horrível do mundo. É como receber uma sentença de morte. Eu não saberia dizer qual das vezes foi pior, mas consegui com as forças de amigos e de Deus não superar, mas melhorar para passar pelo tratamento da melhor forma”.

Ela pontuou também que, na época, não conseguiu uma vaga na oncologia em Barbalha e teve que se mudar para outro estado para conseguir um tratamento. E reforça: “eu diria para todas as mulheres que conheçam o seu corpo, porque facilita você mesmo identificar o que está acontecendo. Não é fácil, mas a gente consegue”. Ledi é idealizadora de um grupo de apoio a mulheres com câncer, chamado Rosas do CarirI. O grupo é formado por mulheres que ajudam na acolhida de pacientes com diagnóstico de câncer de mama.

A tecnóloga em Gestão de Recursos Humanos, Maria José Luna Ramos, 41 anos (Mazé Luna), natural do Crato, também teve o diagnóstico positivo em outubro de 2019, através de exames rotineiros, e apenas três meses depois realizou a mastectomia. Ela faz um alerta: “não deixe para se cuidar apenas no mês de outubro. “O meu aconteceu em outubro, mas o cuidado deve ser o ano todo. Faça o autoexame, procura seu médico o quanto antes”.

No Brasil, foram estimados 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama também ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as mulheres no Brasil, com taxa de mortalidade ajustada por idade, pela população mundial, para 2019, de 14,23/100 mil. As maiores taxas de incidência e de mortalidade estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Vacinação e mamografia

A Sociedade Brasileira de Mastologia fez um alerta para o adiamento da mamografia em quem tomou a vacina contra a covid-19. A orientação se deu pelo surgimento de alguns linfonodos axilares em pacientes nos Estados Unidos. No Brasil, a única vacina que provoca o aumento desses linfonodos é a da Pfizer. Nos pacientes que têm câncer é comum essas glândulas também aumentarem de volume.

O médico radiologista Gustavo Saraiva explica que “os linfonodos estão presentes em todos e são os grandes responsáveis pela defesa do nosso organismo. Muitas pessoas perceberam algumas glândulas aumentar, mas isso é benigno. É apenas uma defesa do organismo em relação a vacina”. O recomendado é fazer o exame apenas um mês após tomar a vacina, para que os linfonodos não aumentem de volume. “Essa consideração é feita apenas em relação à vacina da Pfizer”, explica. Portanto, não existe qualquer contraindicação.

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