Jornal do Cariri
Último suspiro

A eleição suplementar em Barro ainda reserva muitas surpresas antes da votação do dia 5 de dezembro. Pelo menos, essa é a expectativa do eleitorado local. Apesar de considerado como carta fora do baralho, o prefeito cassado, Marquinélio Tavares, aposta que ainda reverte a situação. Ele espera por um resultado favorável ao seu recurso que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se Marquinélio estiver certo, a decisão pode suspender a eleição e o coloca de voltar no poder. Sem acreditar, a pouca base que restou ao lado da prefeita interina, Vanda Pereira, pressiona Marquinélio para se engajar na campanha, o que segundo pessoas próximas, não vai acontecer. Marquinélio não tem em Vanda uma pessoa de confiança e teria aceitado a chapa por acreditar que vai ganhar no TSE e barrar todo o processo. Caso não dê certo, a aposta de Marquinélio deve encerrar sua carreira política.

Medo da traição

A ausência de Marquinélio na campanha de Barro tem uma motivação: ele não queria a indicação da prefeita interina Vanda Pereira. A presença de Vanda teria sido uma imposição dela e, por isso, estaria com dificuldades de reunir apoios. O nome de confiança de Marquinélio é o atual candidato a vice-prefeito,  vereador Koringa. Mais votado na eleição de 2020, muitos avaliam que Koringa seria o melhor nome para a cabeça da chapa. A desconfiança de Marquinélio com Vanda vem da sua ligação com os irmãos e ex-prefeitos Joaquim e Janildo Alves. Apesar da desconfiança da base e a possibilidade de reversão da situação de Marquinélio, a prefeita interina aposta tudo na queda de George Feitosa, do MDB, seu principal adversário. George teve suas contas de campanha desaprovadas pelo TRE, o que pode comprometer sua permanência na disputa ou no poder, em caso de vitória. Há quem discorde juridicamente.

Manobra oficial

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o destino dos mais de R$ 2 milhões, recebidos pela gestão da ex-prefeita de Potengi, Alizandra Gomes, foi prorrogada por mais 90 dias. A decisão anunciada na sessão do dia 1º, teve aprovação de cinco dos nove vereadores. Mas, as discussões nos bastidores da Câmara vão além da investigação dos recursos do governo federal. No plenário, o vereador José Edivânio, do PSD, acusa a base da ex-prefeita de boicotar a investigação, se ausentando das reuniões da comissão e do Plenário da Câmara a cada discussão sobre o assunto. Na base da ex-prefeita, a avaliação é de manobra para manter na Câmara os vereadores cassados Cier das Guaribas e o próprio Edivânio. Eles fazem parte da comissão e, por isso, não foram afastados dos cargos. A crise cresce e o Judiciário precisará intervir.

Resposta contundente

A guerra declarada entre os aliados da ex-prefeita, Alizandra Gomes e a base do atual prefeito Edson Veriato, do Psol, pode aumentar nos próximos dias. Os ex-prefeitos Titico e Samuel Alencar estão articulando um pedido de afastamento do prefeito Edson Veriato. Junto aos dois, está o candidato a vice na chapa de Alizandra, Dr. Jamil. Titico, que é marido da Alizandra, já conta com o voto da vereadora Vanda Rodrigues, mulher de Jamil. Juntos, os três teriam maioria para encaminhar o pedido, mas precisam construir maioria de dois terços para confirmar o afastamento. Para conseguir mais votos, o grupo diz apostar no desgaste do prefeito. Apesar da ferocidade com que a articulação está sendo construída, a avaliação dos vereadores da base do prefeito é que tudo não passa de moeda de troca para acabar com a CPI que pode tornar Alizandra inelegível. A disputa promete.

Enfrentamento na base

A base do prefeito Dodó de Neoclides, em Salitre, dá sinais de rompimento. O pico da tensão entre vereadores e prefeito aconteceu com o veto de três projetos aprovados na Câmara, dois deles de vereadores da base. Na sessão do dia 5, os três vetos derrubados mostram a falta de diálogo entre base e gestor. Os projetos de lei não devem ser problemas para a gestão, já que não se sustentam juridicamente.  O problema é convencer essa base. Na gestão, há quem avalie que os projetos com a certeza de veto teriam sido uma estratégia para forçar o rompimento. De autoria dos vereadores irmão Maciel, Professor Novinho e Silvio Pinto, as  iniciativas dispõem sobre prioridade de vacinação, filmagem das licitações e criação de uma imprensa municipal. Todos esbarram em leis e decretos federais ou criam custos para o Executivo. Ou seja, não são permitidos. Os três foram derrubados por dois terços dos votos, num placar de seis a três.

Rompimento em curso

Não é preciso muito esforço para entender a jogada política do ex-prefeito de Salitre, Agenor Ribeiro, do PT, ao recepcionar o pré-candidato da  oposição ao governo Estado, deputado federal Capitão Wagner, do Pros. Os dois estiveram juntos em Salitre neste fim de semana, para uma entrevista na rádio Canta Galo, ligada ao PT, e um almoço político. Wagner elogiou Agenor, sua atuação política e foi bem claro ao dizer que os dois estavam conversando para a criação de um grupo político na região. Agenor não escondeu sua satisfação com a chegada de Wagner no Município. Através de áudio nas redes sociais, anunciou a recepção e brincou: “os homens estão encostando, os homens estão encostando”. Terá muitas explicações a dar aos caciques do PT, onde continua filiado e é ocupante de cargo no governo: gerente regional da Ematerce do Cariri Oeste.

Enquanto isso...

... Ainda em Salitre, a saída do ex-prefeito Agenor Ribeiro do PT está sendo motivada pelo enfraquecimento interno do seu grupo. Hoje, a tendência é que o partido fique nas mãos do também ex-prefeito, Rondilson Ribeiro, com quem Agenor rompeu na última eleição. Toda a decisão de agora é pensando na eleição de 2024.

... Por outro lado, a informação na cidade é que o ex-prefeito Rondilson já rompeu com o prefeito Dodó de Neoclides, com quem se aliou para derrotar o candidato do PT, Maninho, apoiado por Agenor na última eleição. Além de discordar do método administrativo, Rondilson está desprestigiado por Dodó. Claro, sua base nega o rompimento. Normal!

... Na possibilidade de encontrar autoridades políticas do Ceará e do País, o prefeito de Santana do Cariri, Samuel Werton, foi prestigiar a posse do senador Chiquinho Feitosa, em Brasília. Próximo do gabinete do senador Tasso Jereissati, o prefeito fez articulações que podem render recursos para melhorar estrutura para o santuário da menina Benigna.

... Chiquinho Feitosa garantiu que recursos virão durante seu mandato de 120 dias. Chiquinho assumiu após um pedido de licença do senador Tasso, líder do PSDB no Ceará. Samuel foi o único político da região do Cariri no evento,  realizado no dia 4, e aproveitou para fazer outros contatos. O prefeito avaliou o momento como produtivo.

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