Seminário reúne especialistas para debater os 20 anos da Lei Maria da Penha
Evento reúne especialistas e rede de proteção para debater a violência de gênero
Foto: Nívia Uchôa
Joaquim Júnior e Regy Santos
07/08/26 9:00

Nesta sexta-feira (7), dia em que se comemora 20 anos da Lei Maria da Penha, o Auditório da Famed – Universidade Federal do Cariri recebe o Seminário de Mulheres, que tem como tema 20 anos da Lei Maria da Penha: Desafios, avanços e perspectivas. O evento, marcado para iniciar às 8h, contará com a participação de mulheres que atuam na rede de proteção caririense.

Entre os nomes confirmados, estão Francyelly Felix, psicóloga do Núcleo de Acolhimento a Vítimas de Violência (NUAVV) do Ministério Público do Cariri; Verônica Isidório, feminista negra, LGBT, professora e militante da Frente de Mulheres do Cariri; e Celiane David Bispo, educadora popular e atual secretária de Desenvolvimento Rural e Recursos Hídricos do Município do Crato.

De acordo com a professora da UFCA, Alessandra Maria da Silva, o seminário é promovido pelo Projeto Dom Helder Câmara, em parceria com diversas entidades, e terá como foco principal o debate sobre a violência de gênero, especialmente a enfrentada por mulheres que vivem na zona rural.

Segundo a professora, além de discutir a evolução da Lei Maria da Penha, os avanços conquistados, projetos de lei e políticas públicas de proteção às mulheres, o encontro também abordará os desafios específicos das mulheres rurais. “Elas muitas vezes enfrentam dificuldades para denunciar agressões e acessar os serviços de proteção devido ao isolamento geográfico”, explicou.

A programação também prevê debates sobre geração de renda, autonomia financeira e empoderamento feminino, considerados fundamentais para que mulheres consigam romper ciclos de violência e relacionamentos abusivos.

Ao final do encontro, os organizadores pretendem elaborar a Carta das Mulheres do Cariri, documento que reunirá reivindicações e propostas para fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres na região.

A escolha de Barbalha como sede do evento, segundo Alessandra, ocorreu em razão dos elevados índices de violência contra a mulher registrados no município, buscando chamar a atenção para a necessidade de ampliar as ações de prevenção e combate a esse tipo de crime.

Violência crescente

Entre 2018 e 2026, mais de 300 mulheres foram vítimas de feminicídio no Ceará, segundo dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp). Desse total, quase 50 crimes foram registrados nas Áreas Integradas de Segurança (AIS) 02, 33 e 34, que abrangem municípios da região do Cariri.

Os números ganham ainda mais relevância diante de casos recentes registrados na região. No início desta semana, Camila Maria Gomes Rodrigues, morreu após ser perseguida e atropelada enquanto pilotava uma motocicleta, no município do Crato. O principal suspeito é um homem com quem ela mantinha um relacionamento havia cerca de cinco meses. De acordo com relatos de familiares e testemunhas, ele teria perseguido a vítima conduzindo um caminhão antes de atingi-la. O suspeito foi localizado e preso pela polícia no estado do Piauí.

Outro caso que comoveu o Cariri foi a morte da jovem Rafaelle Queiroz, confirmada nesta quinta-feira (6), no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Ela estava internada em estado grave desde o dia em que foi vítima de uma tentativa de feminicídio em Juazeiro do Norte. A vítima teve o corpo incendiado pelo companheiro no bairro Frei Damião, durante uma discussão no dia 15 de julho. Desde então, permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não apresentou evolução clínica e morreu em decorrência da gravidade dos ferimentos.

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