Região fortalece atendimento a mulheres vítimas de violência
Região soma 15 feminicídios e fortalece rede de proteção
Foto: Junior Pio - Alece
Robson Roque
08/06/26 16:03

A rede de proteção às mulheres no Cariri foi reforçada com a instalação de novas Procuradorias da Mulher em Altaneira, Assaré e Milagres. As unidades fazem parte da estratégia de interiorização desenvolvida pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). O órgão ampliou para 108 o número de procuradorias em funcionamento nas câmaras municipais do Estado.

A expansão ocorre em um cenário de persistência da violência de gênero na região. De acordo com o Painel de Monitoramento da Violência contra as Mulheres, da Alece, o Cariri registrou 388 vítimas de crimes sexuais nos últimos dois anos, sendo 190 casos em 2024 e 198 em 2025. A maioria dos crimes se concentra no Crajubar. Apenas em 2025, foram contabilizados 53 casos em Juazeiro do Norte, 26 no Crato e 17 em Barbalha.

Os dados também apontam 15 feminicídios na região, entre 2024 e 2025. Juazeiro do Norte lidera o número de ocorrências, com cinco casos, seguido por Barbalha e Crato, com dois registros cada. Os demais feminicídios foram cometidos em Altaneira, Araripe, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Nova Olinda e Várzea Alegre.

Com as novas inaugurações, a região passa a contar com procuradorias da mulher nas câmaras municipais de Altaneira, Araripe, Assaré, Aurora, Barbalha, Lavras da Mangabeira, Mauriti e Milagres. No Crato, o tema é acompanhado por uma comissão especial da Câmara Municipal.

Segundo a nova procuradora Especial da Mulher da Alece, a deputada Larissa Gaspar (PT), as unidades funcionam como portas de entrada para mulheres em situação de violência. “As procuradorias da Mulher, além de se constituírem como pontos de acolhimento para mulheres vítimas de violência, oferecem acompanhamento, orientação, fortalecimento da autoestima e encaminhamento das denúncias para os órgãos responsáveis”, destacou.

Além do acolhimento às vítimas, os equipamentos promovem ações educativas, palestras e campanhas de conscientização. A expectativa é fortalecer a prevenção à violência e ampliar o acesso das mulheres do interior aos serviços de proteção e garantia de direitos.

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