Museus do Crato reabrem com acervo ampliado e foco na diversidade histórica
Reabertura registra alta procura de visitantes
Foto: Joaquim Júnior
Joaquim Júnior
28/04/26 9:00

Após 16 anos fechado, o edifício histórico da Casa de Câmara e Cadeia, no Crato, renasce. Erguido há quase dois séculos, o espaço que atualmente sedia o Museu Histórico do Crato J. de Figueiredo Filho e o Museu de Artes Vicente Leite foi restaurado e está de portas abertas. Com investimento superior a R$ 1 milhão, a intervenção mantém a arquitetura original – agora com acessibilidade – e apresenta ao público desde obras de artistas locais a peças que remontam à paleontologia, episódios e personagens históricos, povos originários do Cariri e narrativas que contribuíram para moldar a história.

Raquel Feitosa, coordenadora dos museus, conta que a visitação neles está intensa, com dias chegando a 300 pessoas. Escolas, universidades, moradores da região e de outras cidades comparecem diariamente às exposições, que devem permanecer por um ano. “O museu traz a história, essa vivência e a condição do estudo, de que você chega nesse espaço e que pode crescer com essa história, pode se interessar por ela e virar um pesquisador, um artista também”, relata.

Foto: Joaquim Júnior

Para a construção do acervo, que já contava com grande material, parcerias foram estabelecidas com colecionadores, pesquisadores, artistas e instituições. Como pontuou Raquel, o diálogo com outros museus e universidades deve fomentar a visitação do público, afinal o desejo é que o número de visitantes só aumente. Tanto é que já pensam em estender o horário de funcionamento, que atualmente é de terça a sexta-feira, das 9h às 17h; e aos sábados, das 8h às 12h. Para manter o espaço preservado, ela menciona ser necessário o apoio da população, que também deve zelar pelo que há nos museus e por tudo aquilo que faz parte da história.

No Museu Histórico, Adriana Botelho, professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA), foi a curadora; no Museu de Artes, a função coube a Dodora Guimarães, que atua na gestão cultural desde 1982 e dirige o Instituto Sérvulo Esmeraldo desde 2013. De acordo com Adriana Botelho, seu trabalho teve início com a análise do acervo existente e a busca por complementar lacunas, especialmente na representação das comunidades indígenas e negras. Para isso, recorreu a acervos particulares e parcerias, incorporando novas peças, fotografias e narrativas.

Foto: Joaquim Júnior

A proposta foi apresentar as peças de forma cronológica e dar unidade aos temas, incluindo a valorização do próprio prédio, com um espaço voltado à história da antiga prisão, apresentando documentos e informações sobre alguns dos casos registrados – entre eles, inclusive, estão presentes casos de assassinato contra mulheres no século XIX. Além da organização dos objetos, Adriana propõe um museu mais interativo, com a presença de audiovisual, oralidade, áudios, documentos históricos e peças em 3D que possam ser tocadas por deficientes visuais.

A curadora destaca, ainda, memórias que contribuíram para a criação coletiva, como a tradicional feira do Crato, e a importância de representar múltiplas vozes, como no caso do Caldeirão, indo além de figuras centrais e valorizando a dimensão coletiva. “Os museus são equipamentos de um patrimônio fundamental de uma comunidade”, enfatiza Adriana Botelho, ao dizer que o museu é um espaço fundamental de memória e construção de identidade, essencial para conectar gerações e compreender o presente. “Quando o equipamento abre, ele vai permitir que essas novas gerações circulem por esses outros tempos históricos e vai refletir sobre a gente mesmo”, completa.

Foto: Joaquim Júnior

Por sua vez, o Museu de Artes Vicente Leite, localizado no primeiro andar do edifício, reúne pinturas, esculturas e diferentes peças.  Alcides Cruz, Celita Vaccari, Emerson Monteiro, Luiz Karimai e Sinha D’Amora são alguns dos nomes representados. Entre os homenageados, estão Sérvulo Esmeraldo, Telma Saraiva e Edilson Rocha. Entre os convidados, estão Wanderson Petrova, Nívia Uchôa e Pachelly Jamacaru.

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