Memorial Padre Cícero reabre após intervenções estruturais e melhorias
Estrutura atual conta com acessibilidade e modernização de instalações
Foto: Joaquim Júnior
Joaquim Júnior
07/04/26 9:30

Ao longo de gerações, o Memorial Padre Cícero recebeu milhares de visitas de estudantes da região, pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Inaugurado na década de 1980, o equipamento conta com relíquias e artefatos do sacerdote que, junto à Beata Maria de Araújo, protagonizou o famoso “Milagre da Hóstia”, responsável por transformar o então povoado do Tabuleiro Grande na cidade de Juazeiro do Norte, polo de devoção e peregrinação. Após passar por estruturação, em uma série de reformas financiadas pelo Governo do Ceará, via convênio com a Prefeitura, o Memorial Padre Cícero reabre as portas.

Teresa Siqueira, presidente da Fundação Memorial Padre Cícero, destaca que a importância do equipamento é imensurável. “Aqui, reúne-se toda a memória do Padre Cícero e a história de Juazeiro”, pontua. O espaço, que tem arquitetura moderna, inspirada no Memorial de Juscelino Kubitschek, em Brasília, conta com relíquias de segundo e terceiro graus de Padre Cícero, que incluem textos escritos pelo religioso e vestimentas que tiveram contato com o corpo dele. “Retornar, expor tudo isso para o romeiro, demanda um trabalho muito vigoroso”, relata Teresa, ao dizer que há cerca de três mil peças no museu e de oito mil peças na biblioteca, que foram bem preservadas no decorrer dos anos.

Foto: Joaquim Júnior

Allan de Freitas, historiador no Museu do Memorial Padre Cícero, conta que a proposta do equipamento é preservar, divulgar e promover a história do religioso e de Juazeiro. “Desde o começo, a pedra fundamental, essa era a missão da fundação”, afirma, ao dizer que há o incentivo da pesquisa através de um grande acervo. Além dos itens já conhecidos, como objetos, pinturas e o famoso canhão da Sedição de Juazeiro, de 1914, a reabertura do espaço trouxe consigo novos materiais, a exemplo de batina e chapéu usados pelo sacerdote, e um espaço dedicado à memória da Beata Maria de Araújo, que, apesar de ter sido protagonista no Milagre da Hóstia junto ao Padre Cícero, teve sua história silenciada e quase apagada.

Carla Lima, também historiadora, lembra que o Memorial fechou ainda na época da pandemia de covid-19. À época da reabertura gradual, em meados de 2021, o período de chuvas prejudicou a estrutura do local e, de lá para cá, o acervo circulou por locais como o Cariri Shopping, o Núcleo de Arte, Educação e Cultura Marcus Jussier e, por último, a antiga sede da Prefeitura de Juazeiro do Norte. “E, finalmente, a gente pôde voltar para casa”, relata, ao dizer que havia grande expectativa com o retorno do contato com o povo. “Estar de volta e receber os visitantes é muito bom”, completa.

Foto: Joaquim Júnior

Desde a criação, a média de visitantes do Memorial é crescente. Na última contagem, antes do fechamento, o número anual chegou a 150 mil pessoas passando pelo museu, pela biblioteca e pelo auditório, que agora possui 280 poltronas e oferece acesso a pessoas com mobilidade reduzida, incluindo espaço para cadeirantes. Um dado curioso que ela apresenta é que, do total de visitantes, menos de 10% são juazeirenses. Como acredita a historiadora, isso pode ser explicado porque a maioria das pessoas vai ao local apenas quando recebe visitantes de outras cidades e leva-os para conhecer os atrativos existentes.

“A gente tem falado, nos últimos anos, sobre a importância de conhecer os espaços de memória de Juazeiro, como é o caso do Memorial Padre Cícero e de outros museus, que têm essas informações tão importantes sobre a nossa identidade, a nossa história”, menciona Carla, ao concluir: “Fica o meu convite: venham visitar o Memorial. É um espaço de vocês, feito para vocês, onde vocês vão conhecer um pouco mais da sua história.”

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