Mais de 90% das cidades do Cariri ainda descartam lixo em lixões
Relatório nacional expõe cenário crítico na destinação de resíduos sólidos
Foto: Divulgação
Natália Alves
03/03/26 12:00

A situação do manejo de resíduos sólidos na região do Cariri continua preocupante. Levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa) aponta que 90% das cidades da região ainda destinam seus resíduos a lixões ou aterros controlados, estruturas que não possuem a infraestrutura adequada exigida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

De acordo com os dados, dos 29 municípios que compõem o Cariri, 20 ainda utilizam lixões ou aterros controlados para o descarte do lixo. Apenas duas cidades informaram contar com aterros sanitários estruturados. Esses locais considerados inadequados não garantem a impermeabilização correta do solo, nem o tratamento adequado de gases e do chorume, aumentando os riscos de contaminação ambiental e impactos à saúde pública.

Na RMC, o cenário também preocupa. Sete cidades ainda realizam descarte irregular de resíduos, apenas uma utiliza aterro sanitário e há municípios que não repassaram informações ao sistema federal. Entre os avanços registrados está o município de Barbalha, que desativou o lixão em janeiro de 2023 após mais de 20 anos de funcionamento. Em 2024, foi a única cidade da região a informar a destinação dos resíduos para um aterro sanitário adequado.

Especialistas destacam que a universalização da gestão correta dos resíduos ainda esbarra em dificuldades financeiras, principalmente nos municípios de pequeno porte, devido aos altos custos de implantação e operação dos aterros sanitários. Diante disso, modelos de gestão compartilhada têm sido apontados como alternativa viável. Na região, o Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos do Cariri (Comares Cariri), em parceria com a concessionária Regenera Cariri, atua na busca por soluções integradas para o tratamento e destinação final dos resíduos. A proposta é transformar um problema histórico em um sistema mais estruturado, com proteção do solo e do lençol freático.

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