Lula lá, Elmano aqui versus Mudar Ceará: convenções escancaram estratégias
02/08/26 19:52

As convenções realizadas neste fim de semana deixaram evidente que a eleição para o Governo do Ceará será travada em duas frentes distintas. Enquanto o governador Elmano de Freitas aposta na força eleitoral do presidente Lula e na nacionalização da campanha, Ciro Gomes tenta transformar a disputa em um plebiscito sobre os quase vinte anos de governos liderados pelo grupo político de Camilo Santana.

A estratégia petista ficou clara neste domingo (02), em São Paulo. Elmano fez questão de gravar vídeo circulando pela Convenção Nacional do PT, que oficializou a candidatura de Lula à Presidência da República. A mensagem foi cuidadosamente construída: “Lula lá, Elmano aqui”. O objetivo é repetir a fórmula que garantiu ao governador a vitória na eleição passada, transferindo para o Ceará a força política e eleitoral do presidente Lula.

A presença de Camilo Santana, Cid Gomes, José Guimarães e Luizianne Lins reforçou a imagem de unidade do campo governista nacional e estadual. Já na convenção estadual, Elmano elevou o tom da campanha, ao definir que existem “dois times” na disputa, procurou estabelecer um contraste moral entre governo e oposição. “O time de cá é o time da verdade. O time de lá é o time da mentira. O time de cá é o time da humildade. O time de lá é o time da arrogância.” Com isso, o governador Elmano sinaliza que pretende transformar a eleição em um embate de valores, buscando consolidar sua base e associar seus adversários a uma imagem negativa perante o eleitorado.

Se Elmano tenta nacionalizar a campanha com Lula, Ciro faz exatamente o movimento inverso: estadualiza o debate. Durante o lançamento de sua candidatura, Ciro apresentou propostas para segurança pública e saúde, mas concentrou o discurso em um duro ataque ao grupo político que governa o Ceará desde 2007. Acusou o governo de perder o controle da segurança pública, permitir o fortalecimento das facções criminosas, empobrecer o Estado e utilizar a máquina pública para perpetuar um projeto de poder.

Ao afirmar que o Ceará deixou de ser referência nacional para voltar aos “velhos tempos dos coronéis”, Ciro procura convencer o eleitor de que a principal mudança necessária não é em Brasília, mas no Palácio da Abolição.

O discurso também buscou unificar toda a oposição em torno de um único adversário: o grupo político liderado por Camilo Santana e hoje comandado por Elmano. Outro aspecto que chamou atenção foi a composição do palanque de Ciro.

A presença do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra, do presidente da Câmara Municipal, Felipe Vasques, além de diversas lideranças políticas da oposição do Cariri, demonstra que a região deverá ocupar papel estratégico na campanha tucana. O Cariri é uma das regiões com maior peso eleitoral do Estado e poderá se transformar em um dos principais campos de batalha entre situação e oposição.

As convenções deixaram claro que os candidatos já escolheram o caminho que pretendem percorrer. Elmano aposta na elevada aprovação de Lula no Ceará, na força da máquina governista e na unidade da base aliada para buscar a reeleição. Ciro, por sua vez, tentará propor que a eleição seja um julgamento da gestão estadual, concentrando sua narrativa no aumento da violência, nas dificuldades econômicas e no desgaste do grupo político que governa o Estado há quase duas décadas.Mais do que uma disputa entre dois candidatos, a campanha começa como um confronto entre dois projetos políticos. De um lado, a continuidade do modelo liderado por Lula, Cid Gomes, Camilo e Elmano. Do outro, a tentativa de Ciro Gomes de reunir a oposição e convencer o eleitorado de que chegou a hora de uma mudança no comando do Ceará.

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