Iphan aprova registro dos Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte
Bem cultural reconhecido como sagrado pelo Iphan é composto por oito espaços
Foto: Divulgação/ Iphan
Joaquim Júnior
11/06/26 9:00

Durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realizada nesta quarta-feira (10), os Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte foram aprovados como bem cultural para registro como Patrimônio Cultural do Brasil. O conjunto foi inscrito no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços onde práticas culturais coletivas se concentram e se renovam, como pontos focais da vida social, carregando sentidos de pertencimento, memória e identidade para suas comunidades. No caso de Juazeiro do Norte, como apresenta o Iphan, o registro celebra uma “hierópolis” — uma cidade-santuário — onde a paisagem urbana e a devoção popular se fundem de forma inseparável.

O bem cultural reconhecido como sagrado pelo Iphan é composto por oito espaços: a Basílica de Nossa Senhora das Dores, a Capela do Socorro, a Casa dos Milagres Padre Cícero, a Casa Museu Padre Cícero, o Santuário dos Franciscanos, o Rio Salgadinho, a Ladeira do Horto e o Complexo do Horto. “Juntos, esses lugares formam um território simbólico vivo, continuamente ressignificado pela fé popular — paredes que guardam ex-votos, rios que testemunharam promessas, ladeiras subidas de joelhos”, explica o órgão.

Segundo Marina Lacerda, diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI) do Iphan, o pedido de reconhecimento foi apresentado em 2018 e se apoia em um amplo conjunto de estudos já desenvolvidos pelo Iphan, especialmente a partir do Inventário Nacional de Referências Culturais realizado pela Superintendência do Iphan no Ceará. Ela enfatizou que todos os lugares de referência mencionados no dossiê foram identificados e validados por meio de pesquisas e de diálogo com a comunidade detentora, ressaltando que o processo foi marcado por intensa articulação entre o Iphan, a Prefeitura de Juazeiro do Norte, a Igreja Católica e, principalmente, os romeiros. 

Como destacou Marina, o Iphan se colocou diante de um desafio importante: traduzir em palavras aquilo que pertence, sobretudo, à experiência. “Esse desafio se intensifica ainda mais quando os bens estão relacionados à fé, na medida em que somos chamados a expressar algo que, não raro, é muito mais fácil de ser sentido do que de ser dito. E a fé em torno de Padre Cícero, sem dúvida, é um desses casos. Ela está presente no cotidiano dos romeiros e não se limita à contemplação, mas se realiza na vivência contínua dessa experiência”.  

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