Jornal do Cariri
Início das chuvas impulsiona cenário epidêmico de dengue
Cariri enfrentou epidemia de dengue em 2020, em meio à pandemia de covid-19
Foto: Arquivo JC
Robson Roque
02/02/21 8:00

A região do Cariri enfrentou uma epidemia de dengue em meio à pandemia de covid-19. Segundo dados da secretaria estadual de Saúde, os casos confirmados de dengue mais que dobraram na região, saltando de 3.775 em 2019 para 7.657 em 2020. O número perfaz acréscimo de 102% na comparação entre os dois anos. Atrás apenas da capital Fortaleza, Crato foi a segunda cidade do Ceará com maior quantidade de pessoas infectadas pelo Aedes aegypti. Dos 1.756 casos notificados em Juazeiro do Norte, 1.211 foram confirmados. Em Barbalha, foram 895 casos suspeitos e 425 pessoas tiveram a confirmação de que estavam infectadas.

A região do Cariri como um todo concentrou o maior percentual de casos confirmados de dengue em relação aos casos suspeitos: dos 11.790 casos notificados, 7.657 foram positivos para a doença. As estatísticas negativas do Cariri frente ao cenário epidêmico de dengue não param nesses dados. A coordenadoria de Saúde de Crato, que reúne 13 cidades caririenses, foi a terceira do Ceará com maior taxa de incidência de casos, atrás apenas das coordenadorias de  Icó e Limoeiro do Norte, classificadas como Alta Taxa de Incidência.

Abaiara e Milagres integram grupo de nove municípios cearenses com taxa de incidência acumulada, de 2019 e 2020, classificadas como “muito alto”. Em 2020, foram confirmados 239 casos de dengue com sinais de alarme, a maioria em Fortaleza. Ocorreram 17 casos de dengue grave ano passado no Ceará, dos quais 11 pessoas morreram em decorrência de complicações da doença, sendo cinco homens e seis mulheres com idades de quatro meses a 69 anos. 

Destes óbitos, duas mortes foram registradas em Juazeiro do Norte, uma em Barbalha e outra em Missão Velha. Foram identificados dois dos quatro sorotipos de dengue no Cariri: DENV1 e DENV2.  Os focos do Aedes aegypti predominaram nos depósitos localizados ao nível do solo (barril, poço, tambor e tanque), com 46,69%, seguidos pelos depósitos fixos (obras, calhas, lajes), com 18,63%.

Combate às arboviroses

A coordenadora de Vigilância Sanitária de Crato, Arlene Sampaio, alerta para o período de chuvas, que é propício à proliferação do mosquito. Desse modo, pede a colaboração da população para evitar focos. A pandemia provocada pelo novo coronavírus também afetou as ações de enfrentamento ao mosquito que causa doenças como dengue, chikungunya e Zika. “Limitou o acesso dos agentes de endemias às residências”. Para Arlene, este “é um fator que pode ter contribuído para o aumento de casos no Município”. A coordenadora acrescenta que a responsabilidade de manter as casas sem focos de dengue “também é de cada morador, de cada cidadão”. Neste sentido, ações educativas são feitas para conscientizar a população, enquanto os agentes de endemias mantêm a limpeza de terrenos baldios e vias públicas, e o diálogo com os moradores, obedecendo ao distanciamento.

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