Fim das bets reacende debate sobre impactos na saúde mental
Proibição das plataformas amplia debate sobre prevenção, tratamento e recomeço.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Joaquim Júnior
05/10/26 17:16

A partir desta terça-feira (6), sites e aplicativos de apostas saem do ar em todo o Brasil. A medida faz parte do cronograma anunciado pelo Governo Federal, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter editado Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. Enquanto algumas pessoas criticaram a medida, outros celebraram a proibição das apostas online, já tratadas como crescente demanda de saúde pública.

Segundo o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir o sofrimento que aparece diante dos relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares. “Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital, para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida", informou.

Jéssica Lobo, que se autointitula desenfluenciadora de jogos online, é uma das pessoas que perderam familiares para os jogos. Após o falecimento da irmã, caso que ganhou repercussão nacional, ela criou a ONG Ângela Maria, que, ao longo de três anos, já foi procurada por mais de 30 mil pessoas. De acordo com Jéssica, o principal alerta que as famílias costumam receber de parentes entrando no vício é o endividamento, a procura constante por dinheiro no Pix, o isolamento, além de pedidos de empréstimos contínuos e a falta de comunicação dentro da própria casa, dando indícios de uma ansiedade ou depressão. A proibição pelo Governo Federal, como avalia, previne para o futuro e, para quem já está endividado, ajuda a evitar recaídas.

Segundo Jéssica, além da proibição das bets e da publicidade, é preciso ampliar ainda mais as ações. “Como foi dito para o próprio presidente por mim, nós precisamos de planos de governo para que essas pessoas venham se reeducar, para que essas pessoas venham ter estudos financeiros. O governo precisa trazer para essas pessoas propostas de emprego e renda direcionadas ao dito. Essas pessoas precisam retomar as suas vidas. Para isso, elas precisam de uma nova oportunidade, de um novo incentivo”, explica.

Como orientação, ela deixa o lembrete às pessoas: “tudo que você perdeu até aqui sobre dinheiro é recuperável. Você ainda está de pé e ainda consegue lutar pela sua vida”, enfatiza, ao dizer que foi vencida uma grande batalha dentro dessa guerra, e que toda essa luta foi por milhares de pessoas. “Então, eu acredito que você é capaz de se reconstruir, de recomeçar e, em um dia breve, contar também para o mundo o seu testemunho de que você é mais um vencedor e que os jogos de azar não destruíram a sua vida”. conclui.

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