Espetáculo AZIRA’I transforma memória indígena em arte
Azira’i era reconhecida como uma pajé suprema,
Foto: Arquivo Pessoal
Natália Alves
13/01/26 9:00

O espetáculo Azira’i protagonizado pela atriz indígena ZahyTentehar, chegou ao Cariri, com apresentações em Juazeiro do Norte e Crato, levando ao público uma obra autobiográfica que articula memória, ancestralidade e identidade indígena, a partir da relação entre mãe e filha.

Azira’i era reconhecida como uma pajé suprema, herdeira de saberes ancestrais e profundo conhecimento do mundo espiritual. Para curar, utilizava três ferramentas: as plantas, as mãos e o canto. Esse legado atravessa o espetáculo, que incorpora a música como elemento central da narrativa. Zahy interpreta lamentos aprendidos com a mãe e canções autorais compostas em parceria com Duda Rios, com direção musical de Elísio Freitas e, em algumas composições, a colaboração de Juliana Linhares.

Definido pelos criadores como um “musical de memórias”, o trabalho coloca em diálogo duas mulheres distintas e espelhadas. “Quando pensei em trazê-la ao teatro, não foi para falar apenas dos meus sentimentos, foi para dialogarmos com nossos reflexos enquanto sujeitos coletivos. Gosto de nos ver, humanos, como espelhos, pois nossas histórias se entrelaçam e se compõem”, analisa Zahy. 

A dramaturgia foi construída a partir de múltiplos pontos de vista, entre eles o da própria Zahy, o de sua mãe e o de uma narradora. A direção ganhou forma com a chegada de Denise Stutz, que ajudou a definir um eixo narrativo mais preciso para a encenação. A montagem aposta em uma cena essencial, com poucos elementos, priorizando a performance, o corpo e a voz da atriz, além de projeções e uma equipe artística reconhecida nacionalmente.

Produzido pela Sarau Cultura Brasileira e apresentado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Cultural, Azira’i recebeu o principal prêmio brasileiro de teatro nas categorias Melhor Atriz e Melhor Iluminação, tornando ZahyTentehar a primeira artista indígena a vencer na categoria de atuação. Antes de chegar ao Cariri, o espetáculo passou por importantes palcos internacionais, como o Festival de Avignon OFF, na França, e cidades das Américas do Norte e do Sul, reafirmando o teatro como espaço de memória, escuta e afirmação das culturas indígenas.

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