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Dívida de R$ 89 milhões causa rombo financeiro em Juazeiro
Crise financeira provocou reação do Sisemjun e da Câmara de Vereadores.
Da Redação
12/01 0:00

O município de Juazeiro do Norte vive um “caos financeiro”, afirmou o prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), durante uma coletiva de imprensa na última sexta-feira (08), para prestação de contas parcial sobre a situação financeira da Prefeitura. A apresentação teve como base os relatórios da transição administrativa com a gestão do ex-prefeito Arnon Bezerra (PTB). O rombo relatado pelos secretários, nas contas do Município, se aproxima de R$ 89 milhões.

O relatório, apresentado pelo próprio Glêdson, abordou as dívidas maiores como folha de pagamento de servidores, fornecedores, prestadoras de serviços e encargos. Somente com os fornecedores, o valor da dívida chega a R$ 45 milhões, além da folha de pagamento e encargos de dezembro, que somam R$ 23,7 milhões. Para o prefeito, a solução do problema passa pela renegociação com os credores. Um relatório da Secretaria de Finanças aponta que não há como pagar as dívidas a curto prazo.

Nas contas da Prefeitura, foi identificado um saldo de R$ 5,1 milhões da gestão anterior, que somados as receitas previstas para o mês de janeiro, cerca de R$ 9,5 milhões, o montante chega a R$ 14,6 milhões. O valor projetado é insuficiente para quitar os débitos. Segundo Glêdson, o saldo negativo da Prefeitura chega a R$ 74,5 milhões.

Prestadores como a Associação das Crianças Excepcionais de Nova Iguaçu (Aceni), responsável pela administração da UPA do Limoeiro e do Hospital São Lucas, reclamam R$ 8,2 milhões em repasses atrasados. A MXM Soluções Ambientais, responsável pela limpeza pública, reclama restos a pagar na casa dos R$ 3,9 milhões.

Outros fornecedores como a Cosampa, responsável pela iluminação pública, reclama R$ 1,5 milhão; e a Enel, distribuidora de energia, tem R$ 3,5 milhões a receber. Setores e repartições da Prefeitura estão sob ameaça de corte de energia. São, em média, três meses de pagamentos atrasados.

Para Glêdson, a investigação sobre o que provocou o déficit nas contas caberá aos órgãos de controle e fiscalização, como Ministério Público e Tribunal de Contas. “Não estamos aqui para lamentar, nem acusar, e sim para trabalhar e resolver as coisas. Caberá aos órgãos de controle apurar a responsabilidade”, concluiu.

Perguntada sobre a situação exposta pelo prefeito, a assessoria contábil da gestão Arnon Bezerra disse não ter consideração a ser feita, já que o balanço apresentado é parcial e os relatórios finais devem ser finalizados no dia 30 de janeiro. O ex-prefeito Arnon Bezerra considerou a apresentação um espetáculo e disse que sua administração viveu um momento atípico com a pandemia do coronavírus e isso não estaria sendo levado em consideração. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o ex-prefeito reforçou que também enfrentaria as dificuldades relacionadas por Glêdson, caso tivesse sido reeleito para dar continuidade a sua gestão. "Nós nos preparamos para dar continuidade na gestão, o atraso na folha de pagamento a gente lamenta, nós não queríamos isso, mas fizemos um hospital de campanha, uma UPA... Juazeiro era o único município (da região) que dispunha de UPA e hospital público", reforçou, ao afirmar que antes da pandemia estava tudo em dia, mas que apesar de o Governo Federal ter feito alguns aportes para ajudar os municípios, houve queda na arrecadação e alta nas despesas da saúde. “Então, entre passar dificuldade e deixar faltar médico, hospital, medicamento, nós preferimos passar dificuldade", ressaltou o ex-prefeito.

*Para mais informações, baixe o PDF da versão semanal do JC, na barra superior do site.

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