Derrotas ampliam pressão sobre o TRE-CE em disputa da Federação União Progressista
29/07/26 22:09

A disputa interna da Federação União Progressista no Ceará ganhou um novo capítulo e elevou a expectativa para o julgamento do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), marcado para esta quinta (30), às 10horas. Em 24 horas, as direções estaduais do União Brasil e do Progressistas (PP) do Ceará sofreram duas derrotas importantes, na tentativa de anular a convenção que homologou o apoio à candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado, tendo Roberto Cláudio como candidato a vice-governador e Capitão Wagner ao Senado.

A mais recente delas veio com o parecer do Ministério Público Eleitoral, que se manifestou pela improcedência dos pedidos de anulação da coligação majoritária “Unir para Mudar” e pela manutenção das decisões tomadas pela Convenção Estadual da Federação União Progressista, comandada pelo Capitão Wagner.

No parecer encaminhado ao processo, o Ministério Público Eleitoral defende: “pela improcedência dos pedidos formulados na inicial e no aditamento, no que se refere à anulação da coligação majoritária ‘UNIR PARA MUDAR’ e às indicações de Ciro Ferreira Gomes, Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra e Wagner Sousa Gomes, com a manutenção da deliberação da Federação União Progressista, Órgão Estadual do Ceará, quanto à chapa majoritária". O posicionamento reforça a tese já adotada anteriormente pela direção nacional da Federação União Progressista. Antes do parecer do Ministério Público, a direção nacional da Federação já havia decidido que a Convenção Estadual realizada no Ceará observou o Estatuto da Federação e a legislação eleitoral.

Em documento assinado pelo presidente nacional da Federação, Antônio Rueda, e pelo vice-presidente, Ciro Nogueira, a direção nacional concluiu que a Convenção Estadual da Federação é a instância competente para deliberar sobre a formação da chapa majoritária no Estado.

Segundo a decisão: “A Convenção Estadual da Federação União Progressista constitui a instância competente para formar a vontade eleitoral comum da Federação no Estado, de modo que suas deliberações sobre coligação majoritária e escolha de candidatos aos cargos de governador, vice-governador e senador permanecem válidas e obrigatórias.”

A decisão foi baseada nos artigos 2º, 9º, 17, 24, 25, 27 e 30 do Estatuto da Federação. E foi um duro revés para as direções do União Brasil e PP do Ceará. Rueda e Ciro Nogueira mantiveram o apoio à candidatura de Ciro Gomes.

Ao anunciar o posicionamento nacional, o presidente estadual da Federação União Progressista, Capitão Wagner, afirmou que a decisão encerrava a discussão interna. Segundo Wagner, a Federação Nacional respondeu rapidamente à consulta feita pela direção estadual e confirmou que todos os atos da convenção estavam em conformidade com o Estatuto aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral(TSE).

Wagner também informou que as chapas proporcionais para deputado federal e estadual já haviam sido regularizadas junto ao TRE-CE, fazendo com que um dos questionamentos apresentados anteriormente pela direção nacional perdesse o objeto.

Apesar da manifestação da direção nacional e, agora, do parecer favorável do Ministério Público Eleitoral, os diretórios estaduais do União Brasil e do PP mantiveram o recurso perante o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.

Os partidos pedem a anulação da convenção estadual que aprovou:

•a candidatura de Ciro Gomes ao Governo;

• Roberto Cláudio como vice;

• Capitão Wagner para o Senado;

• além da coligação “Unir para Mudar”.

Caso o recurso venha a ser acolhido, haverá repercussões sobre o registro da chapa majoritária e sobre os atos praticados pela Federação durante o período das convenções, tema que será apreciado pelo TRE-CE no julgamento do processo. O registro da coligação e da chapa foi protocolado na Justiça Eleitoral, após a convenção. Com a manifestação da direção nacional da Federação e o parecer do Ministério Público Eleitoral apontando pela manutenção da convenção, cresce a expectativa sobre a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.

O julgamento passa a concentrar a atenção do cenário político cearense porque definirá se prevalecerão as deliberações da Convenção Estadual da Federação União Progressista ou a tese sustentada pelos diretórios estaduais do União Brasil e do PP, que contestam a validade do ato partidário.

Independentemente do resultado, a decisão do TRE-CE deverá se tornar um dos principais marcos jurídicos da disputa eleitoral no Ceará em 2026.

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