Ciclo de Reis chega ao fim nesta terça-feira (6)
Ritual tradicional marca o encerramento das celebrações natalinas em Juazeiro do Norte
Natália Alves
05/01/26 11:00

O Ciclo de Reis em Juazeiro do Norte chega ao fim nesta terça-feira (6), Dia de Reis, com a realização da tradicional Queima das Lapinhas, considerada a maior queima de palhas de presépio do Ceará. A celebração acontece a partir das 16h, na sede da Lapinha Santa Clara, localizada na Rua Santa Clara, nº 258, e reúne todas as lapinhas participantes da programação, marcando oficialmente o encerramento do ciclo natalino no município.

O ritual, profundamente enraizado na religiosidade popular do Cariri, é conduzido por ladainhas entoadas enquanto os participantes fazem pedidos, agradecimentos e pagam promessas pelo ano que se inicia. O momento central da celebração é o desmonte do presépio, com a retirada das palhinhas que, em seguida, são queimadas em uma fogueira. O aroma que se espalha pelo espaço simboliza renovação, fé e a despedida do tempo do Natal.

Mais do que um ato religioso, a Queima das Lapinhas é uma manifestação coletiva de pertencimento e memória, que reafirma a continuidade das tradições populares em Juazeiro do Norte. A edição deste ano também é marcada por uma homenagem especial à Mestra Vanda, guardiã da Lapinha Santa Clara e uma das mais importantes referências da cultura popular da cidade, falecida em março de 2025.

A Lapinha Santa Clara tem origem na devoção de Dona Teodora, que recebeu das mãos do próprio Padre Cícero Romão Batista a imagem do Menino Jesus, elemento central da tradição. A partir desse gesto, consolidou-se uma prática que atravessou gerações e se tornou símbolo da religiosidade popular caririense. A herança foi preservada e fortalecida por Mestra Vanda, que sucedeu sua mãe, Mestra Tatai, dedicando décadas à condução da lapinha e à mobilização de brincantes, famílias e comunidades.

Ao reunir apresentações de lapinhas e a tradicional Queima das Palhinhas, o evento reafirma a Lapinha Santa Clara como patrimônio vivo de Juazeiro do Norte e reforça o reconhecimento aos mestres e mestras da cultura popular. A celebração convida a comunidade a vivenciar um ritual que conecta fé, memória e identidade cultural, mantendo viva uma tradição que une passado, presente e futuro no Cariri.

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