Caririense apresenta o calligraffite como expressão artística e cultural
Skinny começou a estudar essa técnica no ano de 2020
Foto: Arquivo pessoal
Joaquim Júnior
21/07/26 9:30

Uma linguagem artística contemporânea que une elementos da caligrafia tradicional à expressividade e à liberdade do graffiti – é assim que Fabrício Skinny, artista visual, define o calligraffite. Rapper e também tatuador, ele ministrará a oficina “A força da letra”, no Banco do Nordeste Cultural, entre os dias 29 de julho e 1º de agosto. Ele explica que, pelo graffiti ser um dos elementos da cultura Hip Hop, o calligraffite também utiliza as letras para transmitir mensagens, identidade e expressão artística. Por meio da escrita transformada em arte, suas composições comunicam ideias e emoções até mesmo quando apresenta formas abstratas.

Foi em 2020 que Skinny começou a estudar essa técnica, por meio de pesquisas na internet, observação e troca de experiências com alguns dos artistas que desenvolvem essa linguagem. “Por ter forte influência da caligrafia árabe, ainda há pouco conteúdo disponível no Brasil”, conta. Em 2024, ele foi selecionado para participar de um festival internacional de arte urbana com uma obra em calligraffite, conquista que também contribuiu para dar visibilidade à cena artística do Cariri no cenário internacional. Hoje, ele desenvolve esta arte em diferentes formas, como artes digitais, pinturas e tatuagens.

Foto: Arquivo pessoal

“Acredito que minha atuação dentro da cultura Hip Hop despertou essa necessidade de construir uma identidade própria em uma linguagem que me permitisse explorar essa autenticidade. O Hip Hop valoriza muito isso: imprimir seu próprio flavor, sua personalidade e suas vivências na arte. Como artista do Cariri, essa realidade está presente em tudo o que produzo, fazendo com que as referências culturais e visuais da região surjam de forma natural no meu trabalho”, explica Skinny.

Na oficina “A força da letra”, o caririense explora uma experiência formativa que une caligrafia, arte urbana e expressão cultural. Ao longo de 16 horas, serão trabalhadas técnicas de caligrafia, composição, uso de materiais e desenvolvimento de estilo, além de reflexões sobre a relação entre a escrita, o graffiti, a cultura Hip Hop e a identidade artística. O objetivo, segundo Skinny, é que cada participante desenvolva um olhar próprio e descubra a força da letra como ferramenta de expressão.

“O calligrafite representa pra mim um instrumento com o qual consigo fluir e me expressar visualmente sem precisar escrever uma mensagem propriamente dita. É algo mais sentimental. É a forma como eu vejo curvas, ângulos e composições que estão na minha mente e trago para o mundo físico”, relata Skinny, ao dizer que acha muito válido o incentivo às artes, para que esse conhecimento possa chegar a mais pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer uma linguagem tão rica em detalhes, história e significado.

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