Cariri precisa ampliar maioria de Lula para ter chances de derrotar Flávio Bolsonaro
20/10/26 0:00

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro entra nos últimos cinco dias, sem um vencedor que possa ser apontado com segurança. Todas as pesquisas divulgadas desde semana passada, mostram Flávio com no máximo 51% dos votos válidos e Lula com 49%, um empate técnico, já que a diferença está dentro da margem de erro. Esses levantamentos reforçam o clima de decisão voto a voto para o próximo domingo, 25 de outubro, no segundo turno presidencial. No Cariri, Lula parte de uma posição forte. No primeiro turno, teve ampla vantagem em Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha – Crajubar - resultado que alimenta a expectativa de uma votação expressiva na região. Contudo, o desafio, agora, é elevar essa votação no Cariri todo e chegar à marca de 80%. É uma meta ambiciosa e de execução complicada, especialmente no Crajubar, onde cada voto a mais exige mobilização intensa e presença política até o último dia das eleições. Elmano de Freitas e Camilo Santana têm cobrado empenho dos prefeitos, deputados e demais lideranças da região para ampliar a votação de Lula. A missão é transformar a vantagem caririense em uma diferença ainda maior — enquanto, no cenário nacional, a disputa segue aberta e sem previsão segura de quem será o vencedor. Se Lula vencer, Camilo estará automaticamente habilitado para ser o novo homem forte do governo Lula 4. Se Flávio Bolsonaro ganhar, André Fernandes se transforma em vice-rei do Ceará.

Yury ameaça mexer no controle do MDB do Ceará

Yury do Paredão, o terceiro deputado federal mais votado do Ceará, quer assumir a presidência estadual do MDB. Essa definição, se depender das disputas internas dentro do partido, pode ocorrer no máximo até março de 2027. Com o apoio do outro deputado federal eleito do MDB, Neném Coelho, Yury avalia que chegou a hora de ascender ao comando do partido, cogitando a aposentadoria política do atual presidente Eunício Oliveira. Essa disputa ocorre após Eunício Oliveira não concorrer às eleições deste ano, por problemas de saúde, e Daniel Oliveira, seu sobrinho, não conseguir se reeleger, por não ter alcançado o quociente eleitoral. Assim, o MDB elegeu dois deputados federais pelos votos de Yury, que chega fortalecido pelo resultado nas urnas nesse retorno do funcionamento do Congresso já a partir de 27 de outubro. Mas o futuro do diretório estadual cearense do MDB depende também da eleição presidencial. Se Flávio Bolsonaro vencer, Baleia Rossi deve permanecer na presidência nacional do MDB. Com Lula eleito, o senador eleito e aliado de Yury, Helder Barbalho (PA), poderá ganhar força para sucedê-lo. No MDB, as mudanças quando envolve nomes históricos do partido, como Eunício Oliveira, demandam negociações. Eunício se recupera e, no ano que vem, deve estar pronto e com saúde para retomar a sua carreira política. Desse modo, uma troca de Yury por Eunício está no radar do MDB nacional, porém a substituição não será tão simples.

Fernando Santana quer Felipe Vasques na base

A festa da oposição caririense pela conquista de um deputado estadual pela região parece ter durado pouco. Eleito pelo PSDB e coordenador de Ciro Gomes na eleição deste ano, o presidente da Câmara de Juazeiro do Norte, Felipe Vasques, visitou a Assembleia Legislativa na semana passada. Surpreendendo a todos, Felipe estava ao lado do deputado Fernando Santana (PT). Os dois parlamentares revelaram uma proximidade pessoal e a abertura de uma linha de diálogo para uma atuação conjunta nas demandas do Cariri na Alece e na Câmara Federal. A surpresa aumentou quando Fernando revelou a vontade de ter Felipe Vasques em um dos partidos ligados à base do governador Elmano de Freitas (PT). Felipe não disse sim, mas também não disse não. No Cariri, as apostas é que Felipe e Fernando estarão na mesma articulação para a sucessão do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), em 2028. Para haver uma maior aproximação de olho na prefeitura de Juazeiro do Norte, e ser dado um sinal claro, Felipe não descarta aceitar um convite formal do PT para a sua filiação à sigla, com apadrinhamento de Fernando. Se isso se concretizar, o PT sinaliza que não estará no palanque de Davi de Raimundão em 2028.

Encontro de Felipe e Fernando causa mal estar

O convite do deputado federal eleito, Fernando Santana, ao recém eleito deputado estadual, Felipe Vasques, para apresentar a Assembleia Legislativa, na quinta (14), causou mal-estar na base aliada do governador Elmano de Freitas, em Juazeiro do Norte. O encontro com elogios mútuos e promessa de articulações políticas para o futuro, deixou o grupo político do deputado estadual Davi de Raimundão, do MDB, com a ‘pulga atrás da orelha’. Isso porque Davi anunciou nas comemorações de sua vitória, que deve estar na disputa pela Prefeitura de Juazeiro do Norte em 2028. E espera receber desta vez o apoio do governador Elmano e do PT. A avaliação é que a aproximação de Felipe e Fernando representa um confronto antecipado com sua candidatura. Apesar do grande desconforto, o grupo emedebista de Davi não deve se pronunciar sobre a aproximação. A estratégia é continuar se lançando candidato e ressaltando quem esteve ao lado de Camilo e Elmano nas últimas eleições ao governo do Ceará. Felipe Vasques foi um dos coordenadores da campanha de Ciro Gomes no Cariri. Incomodado, Davi foi orientado a não se confrontar agora com a aliança de Fernando Santana e Felipe Vasques, afinal definição de candidaturas só acontecerão em maio de 2028.

Matheus atende a pedido de Rafael Branco

O presidente da Câmara do Crato, Matheus Leite, acabou cedendo ao diretor de negócios da Adece, Rafael Branco, na disputa pela Mesa Diretora da Casa. Depois de adiar a eleição, Matheus acabou acomodando a vereadora Ariza Silva na segunda secretaria. A polêmica, levantada na Câmara por Ariza, argumentava sua exclusão dos encontros que decidiram a composição da chapa. Ariza foi bem clara ao afirmar que queria estar na nova composição, caso contrário registraria chapa como candidata a presidenta. E ameaçava dividir a base política do prefeito André Barreto. De imediato, Ariza teve apoio de vários vereadores, inclusive da vereadora Lourdes de Calin, segunda vice-presidenta na chapa. Após negociações, os ânimos ficaram mais calmos. Com A conciliação definida, Matheus conseguiu fazer a eleição da Mesa Diretora e deve estar à frente do comando da Câmara do Crato por mais dois anos, no biênio 2027-2028. É importante ressaltar que, mesmo durante a crise, Matheus, em nenhum momento, teve sua eleição para a presidência ameaçada, diante do seu favoritismo.

Silêncio de Glêdson revela respeito a Lula

O comportamento silencioso do prefeito Glêdson Bezerra no segundo turno presidencial tem sido interpretado como um gesto de cautela política em Juazeiro do Norte. Sem declarar apoio a Lula ou a Flávio Bolsonaro, o prefeito evita se colocar contra uma maioria expressiva do eleitorado local, manifestada no primeiro turno presidencial. Lula venceu em Juazeiro e o resultado confirmou a força do presidente na maior cidade do Cariri. A votação também reforçou o peso político da base do governador Elmano de Freitas na região. Elmano saiu vitorioso no município, em um cenário que ampliou a influência de seus aliados locais. Diante desse quadro, Glêdson parece preferir a discrição a uma manifestação que poderia provocar desgaste com os eleitores. A escolha não significa, necessariamente, alinhamento com Lula ou Elmano. Mas sinaliza que o prefeito reconhece o tamanho da força política demonstrada pelas urnas em Juazeiro e no Cariri. Uma declaração pública em sentido contrário poderia gerar reação entre grupos que terão papel importante nos próximos movimentos políticos. O prefeito também precisa preservar espaço para dialogar com diferentes lideranças e forças partidárias do município. Esse cálculo pode ser decisivo na disputa pela sua sucessão. Com o mandato chegando ao fim em dois anos, Glêdson terá de construir alianças e manter influência no debate local. Por isso, o silêncio pode funcionar como uma forma de prudência.

Disse me disse…

Yury do Paredão e Davi de Raimundão continuarão unidos em 2028. Davi será candidato ao cargo de prefeito de Juazeiro, e eleito vota em Yury para a Câmara Federal.

Sobre o futuro do MDB do Ceará, fortalecido, Yury tenta transformar o seu desempenho eleitoral nas urnas de 04 de outubro em poder dentro do partido. Se não conseguir assumir a direção do MDB, Yury sabe que outros partidos têm interesse em sua filiação.

 A aparição de Felipe Vasques, na Assembleia Legislativa, em Fortaleza, foi uma surpresa, por estar ao lado do deputado federal eleito Fernando Santana, mas, também, um alívio para apoiadores.

O presidente da Câmara de Juazeiro do Norte estava “sumido” desde os últimos dias da campanha, no 1º turno das eleições. Neste período, Felipe não compareceu à Câmara, nem atendeu a ninguém. Estranho!

O vereador de Juazeiro do Norte, Boaz de Bolsonaro acabou sozinho à frente da campanha de Flávio Bolsonaro no Cariri. Boaz reclama do abandono de lideranças ligadas à direita na região.

Nomes como o prefeito Glêdson Bezerra e o deputado estadual eleito Felipe Vasques preferiram ficar longe da disputa. A única ajuda a Boaz veio do ex-prefeito de Barbalha, Argemiro Sampaio.

A antecipação da corrida eleitoral para a eleição de 2028, em Juazeiro do Norte, está impondo uma pressão ao prefeito Glêdson Bezerra. A pergunta é: quem será o nome indicado por sua gestão?

Com os nomes dos deputados estaduais, Felipe Vasques e Davi de Raimundão já na rua, Glêdson está sendo perguntado sobre quem será seu ungido para fazer enfrentamento. A resposta tem sido que ainda está cedo.

Giovanni Sampaio recebeu, na manhã desta segunda (19), a visita do senador Camilo Santana, em São Paulo, onde está fazendo tratamento contra um linfoma. Giovanni agradeceu o gesto e o apoio recebido.”Tomamos café e conversamos bastante. Muito obrigado pela visita, pelo apoio e pelas palavras de incentivo”, escreveu. Giovanni tem sido gigante na sua luta contra o linfoma.

Desculpe a ignorância, tem emoção até o último voto na corrida presidencial de domingo, 25 de outubro, na guerra eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro? 

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