Cariri no centro do confronto de propostas de Ciro e Elmano
Primeiro debate deu o tom de como será a campanha no Ceará
Foto: Leandro Regueira / Band Ceará 2026
Madson Vagner
10/08/26 17:21

A região do Cariri se destacou entre os temas e propostas dos candidatos ao Governo do Ceará, durante o debate promovido pela Band Ceará, na noite deste domingo (9), em Fortaleza. Temas como segurança pública, saúde, infraestrutura e saneamento estiveram na pauta com importantes citações do Cariri, pelos candidatos Elmano de Freitas (PT), à reeleição, e Ciro Gomes (PSDB), candidato da oposição.

Na saúde, Elmano destacou a interiorização dos atendimentos, a construção de hospitais e a ampliação das cirurgias. Ciro criticou a prioridade dada à construção de grandes equipamentos, apontando problemas no funcionamento. Elevando a tensão, Ciro reafirmou que existem erros na contagem de internações na UTI do Hospital Regional do Cariri (HRC) e nos custos do equipamento, em Juazeiro do Norte, defendendo a construção de hospitais municipais, que acredita ter mais capacidade de resolutividade.

Elmano destacou que o HRC ganhou uma certificação internacional de qualidade e que “a saúde municipal de Juazeiro tem muita dificuldade”. Ele falou dos investimentos no Hospital Universitário da UFCA, também em Juazeiro, e que o Estado passou de 60 mil cirurgias para 165 mil na sua gestão. O governador destacou, ainda, a realização de concurso e posse de seis mil profissionais de saúde.

Entre os temas do debate, a segurança pública foi tratada como prioridade pelos dois candidatos. Para Ciro, “o Ceará, hoje, é quase um narcoestado dominado pelas facções criminosas e a fórmula com que se enfrentou esse problema nos últimos 10 anos é desastrada, que infelizmente não tem tido a menor eficácia, a menor consequência”.

Elmano avaliou que a segurança pública é um desafio no Brasil e na América Latina. Ele disse que no Ceará foi feita uma reestruturação de todas as forças de segurança, com novas viaturas e a contratação de seis mil novos policiais, que trabalham com um sistema de metas. O governador citou o Cariri como exemplo do trabalho de inteligência. Segundo ele, a atuação do projeto de segurança pública usando a inteligência artificial conseguiu prender 27 faccionados usando o reconhecimento facial, durante a Exposição Agropecuária do Crato, a Expocrato. Segundo Elmano, o Ceará saltou de 130 para 800 profissionais de inteligência.

O Cariri voltou ao debate com a discussão da infraestrutura e saneamento básico. Ciro disse que vai fazer um ramal ligando Crato, Juazeiro e Barbalha a Missão Velha, porto seco da Transnordestina na região. “Será um ramal ferroviário entre as quatro cidades”, disse. No saneamento, Ciro falou sobre ações do seu governo em Fortaleza, que teria saído de 13% para 60% de saneamento, e o projeto Sanear desenvolvido em Juazeiro, em parceria com o então prefeito Manoel Salviano. Elmano questionou a ação em Juazeiro. “Você sabe que está sendo feito a rede de esgotamento sanitário, agora. Como ele (Ciro) disse que fez, se ainda está tendo aí o projeto? É porque ele não fez!”, rebateu, ressaltando as ações que estão sendo realizadas nos municípios para construir a rede de esgoto regular.

O debate passou por temas como educação, indicadores sociais e geração de emprego e renda. Os dois reconheceram avanços obtidos pelo Ceará, mas divergiram sobre a autoria e a continuidade das políticas.

Reação

O ex-diretor do Hospital Regional do Cariri, Giovanni Sampaio, reagiu às declarações de Ciro Gomes. Em vídeo nas redes sociais, Giovanni negou irregularidades envolvendo internações e leitos de UTI e desafiou Ciro a formalizar as acusações contra ele. “Se você sabe que tem roubo, não vá dizer em rádio, não. Faça uma queixa por escrito”, afirmou.

Ao Jornal do Cariri, Giovanni disse que já ingressou com pedido de interpelação judicial para que Ciro comprove as acusações. O ex-diretor disse que solicitou ao Ministério Público do Ceará uma auditoria nas suas contas de forma “ampla e irrestrita”. Pediu, ainda, que a investigação fosse acompanhada pelas polícias Civil e Federal. “É dinheiro público do Estado e da União. Se houve roubo é preciso que haja punição. Não tenho medo. Sei o que fiz”, disse.

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