Camilo Santana tem credenciais para a Casa Civil: Nordeste foi decisivo
27/10/26 21:45

A disputa por espaço no futuro governo de Lula 4 não pode apagar um dado político central: quando a campanha precisou reagir, Camilo Santana foi chamado para ajudar a conduzir a virada. O senador cearense entrou na coordenação política, ganhou protagonismo ao lado do presidente e se tornou uma das principais vozes da campanha no segundo turno. O resultado confirmou o peso do Nordeste.

Lula recebeu 24,45 milhões de votos na região e abriu uma vantagem de mais de 13,6 milhões sobre Flávio Bolsonaro — a maior diferença absoluta já registrada pelo PT no Nordeste. Foi um desempenho determinante para a vitória nacional. Camilo não foi apenas uma liderança regional convocada para a fotografia da vitória. Depois do primeiro turno, participou da reorganização da campanha e ajudou a articular o diálogo com as forças políticas nordestinas. Seu desempenho na reeleição de Elmano de Freitas, no Ceará, já havia reforçado sua capacidade de mobilização. Na etapa final da disputa presidencial, essa experiência ganhou dimensão nacional. Por isso, seu nome reúne credenciais para a Casa Civil: confiança de Lula, experiência de governo, trânsito político e conhecimento das demandas de uma região que teve papel determinante nas urnas.

A Casa Civil exige articulação cotidiana com o presidente, com os ministérios e com o Congresso. Camilo já demonstrou que sabe construir alianças e coordenar forças políticas em momentos decisivos. Fernando Haddad também é um quadro importante do PT e pode contribuir com o próximo governo. Mas a escolha para um cargo dessa dimensão precisa considerar a trajetória recente e o papel de cada liderança na vitória.

As conversas sobre os ministérios ainda estão em curso, e reportagens apontam Camilo entre os nomes mais fortes para a Casa Civil. A decisão final, porém, cabe a Lula. O PT paulista pode defender os nomes de sua preferência, mas não deve transformar essa preferência em imposição. O partido precisa reconhecer o peso de quem esteve na linha de frente quando a campanha precisou mudar de rumo. Se Camilo e Rafael Fonteles foram convocados para ajudar Lula a vencer, suas contribuições também precisam ser consideradas na formação do governo.

A escolha de Camilo para a Casa Civil seria um reconhecimento político ao Nordeste e à força demonstrada pelo senador cearense. Depois de uma vitória construída com participação decisiva da região, seria um erro deixar que disputas internas reduzam o espaço de quem ajudou a torná-la possível. Escolher outro nome como Fernando Haddad seria um péssimo começo para o Lula 4.

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