Camilo radicaliza discurso contra facções e se distancia do governo Lula
11/06/26 22:55

O senador Camilo Santana elevou o tom no debate sobre segurança pública e assumiu, nesta quinta (11), uma posição mais dura contra o crime organizado. Camilo declarou ser favorável à classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, posição que diverge do entendimento manifestado pelo presidente Lula da Silva e se aproxima da linha defendida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A declaração ocorreu após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apontou que 60% dos brasileiros defendem que as duas maiores facções criminosas do país sejam enquadradas como organizações terroristas. Camilo afirmou concordar com esse entendimento.

Ao justificar sua posição, o senador foi enfático: “O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar.”

Camilo também revelou que já havia manifestado ao presidente Lula sua discordância em relação às críticas feitas pelo petista à iniciativa americana de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas. Segundo o senador, o combate ao crime organizado exige cooperação internacional e não deve ser tratado como uma disputa ideológica.

Politicamente, a posição fortalece o discurso de enfrentamento ao crime organizado adotado pelo governador Elmano de Freitas. Ao defender uma classificação mais severa para CV e PCC, Camilo se alinha ao sentimento predominante da opinião pública e reforça a narrativa de endurecimento das ações de segurança pública no Ceará.

A declaração também sinaliza uma tentativa de retirar o debate da polarização partidária e colocá-lo no campo da proteção da população diante do avanço das facções criminosas, tema que continua sendo uma das maiores preocupações dos brasileiros.

A posição de Camilo chama atenção porque parte de um dos principais líderes do PT nacional e aliado histórico de Lula. Ao defender uma medida rejeitada pelo governo federal, Camilo demonstra autonomia política em um tema sensível e busca ocupar um espaço de firmeza no debate sobre segurança pública, área considerada estratégica para as eleições de 2026.

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