Barbalha vira campo de batalha eleitoral entre Elmano e Ciro Gomes
02/06/26 0:00

A tradicional Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha, transformou-se, neste fim de semana, no primeiro grande palco da disputa eleitoral de 2026 no Ceará. O que deveria ser um momento de celebração religiosa acabou servindo como demonstração pública da guerra política, que já está instalada entre os grupos liderados pelo governador Elmano de Freitas e pelo ex-ministro Ciro Gomes. O episódio mais simbólico aconteceu durante a missa de abertura dos festejos. Dentro da igreja, apoiadores dos dois lados protagonizaram uma disputa de vaias, obrigando o diácono Raphael Ernandes a interromper o clima de confronto para fazer um apelo por respeito: “A igreja é a casa de Deus.” A cena expôs o nível de polarização que tomou conta do ambiente político cearense e mostrou que a sucessão estadual deixou de ser assunto de bastidores para ganhar as ruas. De um lado estavam o governador Elmano de Freitas, o senador Camilo Santana, a vice-governadora Jade Romero, o ministro José Guimarães e o presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri. Do outro, Ciro Gomes e o ex-prefeito Roberto Cláudio comandavam a oposição. Ao longo do evento religioso e cultural foi possível constatar como a temperatura política cearense está tensionada.

Ciro assume a aliança com bolsonarismo
Ciro Gomes aproveitou a vinda a Barbalha, para assumir, publicamente e pela primeira vez, e sem tergiversações, a defesa da aliança construída por ele com lideranças bolsonaristas no Ceará. Esse acordo busca convencer à sociedade cearense , da narrativa que Ciro pretende liderar uma ampla frente de oposição contra Elmano e Camilo. Ciro Gomes decidiu, assim, abandonar qualquer constrangimento em relação à aproximação com lideranças bolsonaristas e assumiu a defesa da aliança construída com esses políticos de direita no Estado. Durante entrevista coletiva concedida em Barbalha, Ciro reagiu às críticas feitas por Camilo Santana, e justificou a união com nomes como Capitão Wagner e André Fernandes. Segundo Ciro, sua aproximação foi baseada em critérios pessoais e políticos, destacando que os aliados que reuniu na oposição são “homens honrados” e sem envolvimento em investigações da Polícia Federal. O ex-governador revelou, ainda, ter procurado Wagner para pedir desculpas por críticas feitas no passado e reconheceu que a oposição precisava superar divisões para enfrentar o grupo governista. A declaração representa uma mudança importante na trajetória política de Ciro, que passou a defender os seus aliados políticos no embate que ele travará contra o governador Elmano de Freitas.

Ciro tenta escapar da arapuca do bolsonarismo
Ciro Gomes figurou, durante anos, entre os mais duros críticos do bolsonarismo no cenário nacional. Agora, diante da disputa estadual, passou a defender uma ampla frente oposicionista reunindo antigos adversários políticos da família Bolsonaro. Ao justificar a estratégia, Ciro argumentou que o objetivo é construir uma alternativa ao grupo liderado pelo governador Elmano e pelo senador Camilo. Também acusou os adversários de praticarem uma concentração excessiva de poder no Estado. O discurso deixa claro que a eleição de 2026 no Ceará tende a ser marcada por uma reconfiguração das alianças políticas. O anúncio em Barbalha teve um peso simbólico porque representa a primeira vez em que Ciro não apenas admite a aproximação, mas passa a defender publicamente a aliança com setores identificados com o bolsonarismo, como instrumento para tentar retornar ao comando político do Ceará. Nesse cenário, Barbalha acabou se transformando num retrato antecipado da campanha de 2026. O duelo entre vaias, discursos e demonstrações de força deixou claro que a disputa pelo Palácio da Abolição já começou. E, se o clima visto no Cariri servir de parâmetro, a batalha eleitoral promete ser uma das mais acirradas da história recente do Ceará.

Elmano muda atitude e passa a confrontar Ciro
Não há mais dúvidas de que a disputa pelo Governo do Ceará já começou. O fim de semana em Barbalha tratou de confirmar essa realidade. Ao lado de Camilo e do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o governador Elmano transformou a agenda administrativa no Cariri numa clara demonstração de força política. A entrega do novo equipamento PET-Scan Digital, para o tratamento e diagnóstico do câncer, serviu para reforçar uma estratégia que tem marcado os movimentos de seu Governo: associar a imagem do governador Elmano às realizações concretas da parceria entre os governos estadual , federal e os municípios. Mas a agenda administrativa foi além. O almoço com 28 prefeitos, dezenas de lideranças políticas, mais de uma dezena de deputados estaduais e federais, como Yury do Paredão e Eunício Oliveira, foi interpretado como a largada da pré-campanha de reeleição do governador.
A principal novidade, porém, está na mudança de postura de Elmano. Conhecido por um estilo mais discreto e conciliador, Elmano tem adotado um discurso mais incisivo diante dos ataques da oposição. E tem se mostrado mais disposto ao confronto político, especialmente nas respostas dirigidas ao ex-ministro Ciro Gomes.

Eunício se prepara para concorrer ao Senado
Uma das pautas respondidas pelo senador Camilo Santana (PT), na chegada a Barbalha, na sexta, 29, foi a escolha dos nomes para compor a chapa para a disputa ao Senado, pela base aliada do governador Elmano. Apesar de recentes notícias indicarem como composição resolvida, Camilo disse que apenas o senador Cid Gomes está garantido na disputa, e que vai continuar conversando com partidos aliados para definir a outra vaga, que pode ser de Eunício Oliveira ou Chiquinho Feitosa. Sobre essa definição, deputado federal Eunício Oliveira assegurou que tudo já está resolvido. E há muito tempo. Eunício disse estar tranquilo com sua indicação, mas reconheceu que é preciso conversar com os partidos da base para convencer que a sua indicação é o melhor caminho. Avalia o processo como natural. 
 
Guimarães supera decepção com Senado
Tirado da disputa ao Senado, por orientação do presidente Lula, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, garante ter superado a frustração de não concorrer a uma vaga ao Senado. Guimarães disse se tratar de uma “pequena pausa”, dando a entender que pode ser candidato a senador em 2030. Claro que terá que enfrentar outra briga, desta vez com o senador Camilo, que pode concorrer à reeleição. Mas, o plano de Camilo é eventualmente suceder presidente Lula, caso se reeleja agora em outubro. Guimarães lamentou porque, segundo disse, fez a melhor pré-campanha de toda a base aliada. Rodou o estado e articulou apoio de lideranças de peso. Mas acabou prevalecendo a ideia de contemplar os partidos da base. O pior é que muitos alertaram Guimarães para a situação, mas ele se agarrou no compromisso fechado com Camilo e Elmano, na presença de Lula. Para sua sobrevivência, Guimarães aposta tudo na eleição de Lula. Reeleito, quer continuar ministro para manter a sua com força política. Outra possibilidade para Guimarães é disputar à prefeitura de Juazeiro do Norte, em 2028, como candidato das oposições. Contudo, esse assunto não será debatido agora. Tem tempo.

Disse me disse…
Governador Elmano respondeu a Ciro, após ele defender aliança com bolsonaristas, nesta segunda (1º): “Ao contrário de Ciro, que se juntou ao pior da política, não tenho Bolsonarista de estimação. A máscara dele caiu. Que fique com Capitão Wagner, André Fernandes, Carmelo, Inspetor Alberto e a Família Bolsonaro pra ele. Estou onde sempre estive: com Lula, Camilo, Cid, Izolda e o povo.”
 
O clima de disputa entre o senador Camilo,  na defesa do governador Elmano, e o pré-candidato da oposição, Ciro Gomes promete uma eleição como não assistimos nem 2006, quando Cid Gomes derrotou governador Lúcio Alcântara , nem em 2014, na época que Camilo venceu Eunício no 2º turno.

Algo parecido, até agora, só presenciamos em 1986, e já faz 40 anos, no tempo em que Tasso Jereissati derrotou Adauto Bezerra, numa grande virada eleitoral.
 
Em Barbalha, o ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Arnon Bezerra, rebateu comentários de Ciro Gomes, sobre seu nome ter estado entre os que poderiam ter disputado o governo do Ceará.
 
Ciro chegou a dizer que Arnon foi retirado pela sua conduta. Arnon lamentou a afirmação e garantiu que Ciro nunca abordou o assunto com ele. E foi direto ao afirmar que jamais mudou sua conduta.

Uma ausência notada na abertura dos festejos de Santo Antônio em Barbalha, foi o candidato a governador do PRD, Giovanni Sampaio.

Camilo comemorou seu aniversário na noite de sábado, numa festa em sua residência, em Barbalha. Camilo e Elmano demonstravam muita confiança.

Continua sem chance de acordo o rompimento político do prefeito de Juazeiro, Glêdson Bezerra, e presidente da Câmara, Felipe Vasques.

A propósito, causou estranheza a ausência do prefeito Glêdson na visita de Ciro aos festejos do Pau da Bandeira.

Desculpe a ignorância, há chance do prefeito Glêdson e do presidente Felipe Vasques fumarem o cachimbo da paz?

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE