Artistas do Cariri participam do Festival Rock Cordel em Fortaleza
Nóis’Y Vendel e Joh Hendrix subiram ao palco nos dias 15 e 22 de janeiro
Fotos: Dyanna Gomes/ Markim Santiago/ @arvoremusic
Joaquim Júnior
27/01/26 9:30

O rock do Cariri teve dois representantes de peso na edição 2026 do Rock Cordel, realizado em Fortaleza pelo Banco do Nordeste Cultural dos dias 14 a 17 e 21 a 24 de janeiro. Os artistas Nóis’Y Vendel e Joh Hendrix subiram ao palco, respectivamente, nos dias 15 e 22, e mostraram na capital o rock produzido na região caririense. Ambos já possuem álbuns gravados disponíveis nos streamings e divulgam os trabalhos realizados também nos perfis pelas redes sociais, que podem ser conferidos em @noisyvendel e @joh_hendrix.

Nóis’Y Vendel atua em carreira solo desde o ano de 2019. No início, sob influências mais fortes do stoner rock com elementos de trilhas sonoras de filmes de terror. “Com o tempo, senti necessidade de incorporar elementos da nossa música, nossa cultura, mas não sabia como”, explicou o artista, que canta em inglês. À guitarra e ao baixo, alguns instrumentos, como flauta e zabumba, junto a peças de cordel e inspirações do Nordeste, adicionaram o quê de regionalismo que ele buscava.

Foto: Dyanna Gomes / Makrim Santiago/ @arvoremusic

A grande inspiração para o trabalho veio com “A Morte do Vaqueiro”, de Luiz Gonzaga, música preferida de Nóis’Y Vendel do rei do baião. Assim nasceu "Lengo Tengo", uma versão contada pelo próprio vaqueiro no mundo dos mortos. Esse foi o ponto de partida para os singles e o álbum a seguir, intitulado “Thorns and Thistles”. Esta foi a primeira participação dele no Rock Cordel em Fortaleza. “A experiência foi simplesmente incrível”, afirmou.

Também do Cariri, Joh Hendrix é um dos representantes da nova geração do rock. Com um álbum “Nunca É Tão Tarde” e singles trabalhados nos últimos anos, ele tem participado de shows na região e dividido palco com grandes nomes do cenário nacional, como Detonautas e o Bloco do Eu Sozinho. Para a apresentação no Rock Cordel, as expectativas eram altas – e foram alcançadas. O show, como avaliou, foi sensacional.

Foto: Dyanna Gomes / Makrim Santiago

Além da etapa inicial, onde os artistas foram selecionados em meio a 400 bandas para integrar a programação do Rock Cordel Fortaleza, Joh foi um dos selecionados para nova etapa classificatória e, por meio de votação popular, foi selecionado para ganhar um videoclipe do show e uma música produzida pela organização. Ele ocupou a 10ª posição de um ranking de 20 bandas selecionadas. Delas, haverá uma terceira etapa: as três mais votadas farão uma miniturnê nos Centros Culturais do Banco do Nordeste.

Em relação ao apoio a “artistas independentes”, tanto Nóis’Y Vendel como Joh Hendrix apresentam opiniões em comum. Enquanto o primeiro cita que, apesar de mudanças positivas ao longo dos anos, é necessário maior fomento e apoio aos artistas, como a criação de algo autossustentável que possa movimentar a economia, exportar e expandir, o segundo acredita que a importância do apoio é essencial tanto para incentivar e dar estrutura como para dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por eles, seja nas artes visuais, cênicas e na música.

“Nós podemos criar esse mercado, investir, promover oficinas, incentivar, trabalhar em diversas frentes, mas isso só será possível com apoio das prefeituras, governo do estado”, enfatiza Vendel, ao citar que “a cultura em si faz parte da vida de todos nós, o tempo todo. Ela educa, cria conexões, fomenta simbioses, trocas e promove unidade, interação, algo intrínseco a uma comunidade coletiva.” Joh, por sua vez, completa a mensagem do colega: “É através do apoio a projetos culturais independentes que toda cultura de um povo, grupo ou indivíduo ganha visibilidade”, conclui.

19 anos de Rock Cordel

O Rock Cordel surgiu em janeiro de 2007, quando André Marinho, que atuava como consultor interno, gestor e coordenador da programação musical do antigo CCBNB (hoje BNC), foi convidado a criar um evento que resgatasse o público no período de férias, quando o Centro Cultural registrava menor movimentação.

No mesmo ano surgia o Rock Cordel, onde foram reunidas 92 atrações, entre bandas e grupos de cultura popular, em uma fusão do rock em diferentes linguagens. Sob muitos apoios e parceiros, o projeto fincou raízes e cresceu, até que no ano de 2013 o houve corte em financiamento. Após isso, o projeto continuou sendo realizado nos centros culturais de Juazeiro e de Sousa. “Em 2025, sob a gestão de Gildomar Marinho, demos o pontapé inicial para um novo Festival Rock Cordel”, contou André marinho.

O ano de 2026 marca a 19ª edição do evento, que nasceu com pedido de sugestões de bandas do circuito de bares, restaurantes e outros equipamentos culturais que não deveriam ficar de fora do nosso projeto. Músicos, produtores, donos de bares culturais e jornalistas participaram do movimento. “Chegamos a aproximadamente 400 nomes, somando-se a isso as 30 indicações dos equipamentos BNC de Sousa, Cariri, Mossoró e em parte até do Recife”, contou, ao dizer que, considerando as experiências e competências, levaram o convite e posterior seleção de curadores. Além das apresentações, as bandas participam de votação popular para que realizar turnê pelos Centros Culturais do Banco do Nordeste.

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