Ação conjunta fortalece candidatura da Chapada do Araripe a Patrimônio Mundial
Integração entre cultura e meio ambiente fortalece projeto para a Chapada
Foto: Reprodução/ Geopark Araripe
Joaquim Júnior
11/08/26 10:00

A candidatura da Chapada do Araripe ao título de Patrimônio Mundial da Unesco ganhou novo impulso com a visita conjunta de representantes dos ministérios da Cultura (MinC) e do Meio Ambiente (MMA) ao Cariri, no última semana. A proposta é reconhecer o território como patrimônio misto, categoria destinada a locais que reúnem valores naturais e culturais de relevância excepcional.

“A Chapada do Araripe reúne um patrimônio natural extraordinário, com biodiversidade, paisagens notáveis, recursos hídricos e um acervo paleontológico de importância internacional, mas reúne também uma riqueza cultural igualmente excepcional, expressa nos modos de vida, nas manifestações populares, nos saberes tradicionais e na própria relação que as comunidades construíram com esse território ao longo do tempo”, afirma o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.

Como explica, o conjunto de atributos merece ser considerado no esforço para o reconhecimento da Chapada do Araripe como Patrimônio Mundial. O processo, contudo, exige estudos, articulação institucional, participação da sociedade e, sobretudo, a demonstração do chamado “Valor Universal Excepcional” exigido pela Unesco. Caso haja reconhecimento internacional, ele servirá para fortalecer políticas de conservação ambiental, proteção do patrimônio cultural e paleontológico, pesquisa científica, educação ambiental, turismo sustentável e geração de renda.

Nessa estratégia, o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, destacou que a integração entre cultura e meio ambiente tem surtido efeito em ações na região. Segundo ele, os ministérios desenvolvem ações voltadas ao clima, à cultura e à valorização dos saberes tradicionais, além de contar com investimentos voltados ao Cariri, como o Ciclo de Saberes com Mestres da Cultura, a Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura e a formação de agentes culturais e ambientais.

Piúba destacou, ainda, que alguns biomas brasileiros concentram patrimônio cultural material, imaterial e natural, e que a Chapada do Araripe se insere neste contexto. Ele lembrou o pioneirismo do Ceará, ao lado de Pernambuco, no reconhecimento dos mestres e mestras da tradição popular, os Tesouros Vivos.

Durante a agenda, outro tema de destaque foi a bioeconomia no Semiárido. Para Capobianco, o Cariri tem condições muito especiais para se transformar em uma referência de bioeconomia no Semiárido brasileiro, pois reúne três elementos fundamentais: biodiversidade, conhecimento e uma cultura profundamente ligada ao território.

Para dar escala a essa economia, ele aponta ser necessário estruturar cadeias produtivas através do apoio a cooperativas e pequenos empreendedores, melhorar o acesso ao crédito e à assistência técnica, investir em pesquisa e inovação, agregar valor aos produtos dentro da própria região e criar mercados capazes de remunerar adequadamente quem conserva a biodiversidade. “É também por isso que a presença das universidades e instituições de pesquisa do Cariri é tão importante”, destaca.

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