Desafios do novo governo Lula passam pelo protagonismo do Ceará e Cariri
O senador Camilo Santana com projeção no novo mandato de Lula
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Joaquim Júnior
02/11/26 13:12

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em segundo turno das eleições deste ano, garantiu um quarto mandato no Palácio do Planalto, mas não um caminho tranquilo nos próximos quatro anos. A partir de fevereiro de 2027, Lula encontrará uma oposição fortalecida na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com maioria conservadora, ligada aos campos da extrema-direita, direita e centro-direita.

Na Câmara, o PL elegeu a maior bancada, ocupando 121 das 513 cadeiras. O PT, partido do presidente, ficou com 70 cadeiras, que somadas à federação com PV e PCdoB, chegarão a 88. A base governista espera contar com 129 cadeiras, com o apoio do PDT (10), PSB (15) e Federação Psol/Rede (16) que, mesmo próximos, o governo terá que negociar.

Para a construir maioria, seja simples (257 deputados) ou qualificada (342), o governo terá que negociar com legendas mais ao centro, como a federação União Progressistas (87 cadeiras), PSD (43), Republicanos (41), MDB (36) e Podemos (27), que somam 234 deputados. No Senado, o cenário não é diferente. Entre os 81 senadores, o PL terá 29 e o PT dez. Do Ceará, além de Camilo Santana (PT), o governo terá Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede).

Entre as primeiras disputas do novo governo está o Orçamento da União para 2027. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), encaminhado ao Congresso em 31 de agosto de 2026, prevê despesas primárias de R$ 2,5 trilhões e superávit primário de R$ 18,6 bilhões. A proposta tem, ainda, um salário mínimo de R$ 1.741, crescimento de 2,46%. A discussão tem reflexos concretos em obras, ampliação de serviços de saúde, projetos educacionais, abastecimento e desenvolvimento regional.

Neste cenário, o Cariri e o Ceará terão papel de destaque. Além da bancada de deputados e senadores, majoritariamente ligados à base aliada, o estado terá protagonismo no governo. Para a região do Cariri, o protagonismo terá um significado a mais. Além de manter as três cadeiras na Câmara, a região terá o senador Camilo Santana com projeção no novo governo, disputando espaços como o comando da Casa Civil.

A bancada caririense na Câmara, com Fernando Santana (PT), Yury do Paredão (MDB) e Idilvan Alencar (PSB), terá a oportunidade de atuar em pautas de interesse regional. A presença dos três parlamentares em Brasília poderá fortalecer a defesa de demandas históricas do Cariri.

O Ceará elegeu 22 deputados federais, sendo 14 de partidos ligados à base governista local. Mas, apesar da maioria, a bancada não é homogênea. Há parlamentares que adotaram posições neutras, como Célio Studart (PSD), AJ Albuquerque (PP), Danilo Forte (PP) e Erika Amorim (Republicanos). Eles podem somar com a oposição dos deputados cearenses eleitos pelo PL: André Fernandes, Carmelo Neto, Dr. Jaziel e Matheus Noronha.

Camilo no centro das articulações

Entre os nomes com força no próximo governo, Camilo Santana aparece em posição de destaque. Senador, ex-governador e ex-ministro da Educação, Camilo assumiu papel central na coordenação da campanha, durante o 2º turno. Camilo liderou atos políticos e reorganizou estratégias, tornando-se uma das principais lideranças da campanha. A projeção nacional de Camilo tem uma dimensão adicional para o Cariri. Natural de Crato e tendo Barbalha como principal berço político, Camilo reúne condições para atuar como interlocutor de demandas estaduais e regionais junto ao Governo Federal.

Governadores alinhados

A conjuntura política no Nordeste representa um elemento na base de apoio a Lula. Dos nove estados da região, seis são governados pelo PT ou por partidos aliados. O PT governará a Bahia, com Jerônimo Rodrigues; o Ceará, com Elmano de Freitas; o Piauí, com Rafael Fonteles; e o Rio Grande do Norte, com Cadu do Lula. Os outros aliados são Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe. Os três governadores que não declararam apoio a Lula são JHC (PSDB), em Alagoas; Eduardo Braide (PSD), Maranhão; e Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco. O quadro mostra o Nordeste tendo uma importante interlocução com o Governo Federal, facilitando a articulação de programas e investimentos regionais. Para o Ceará, a reeleição de Elmano, o protagonismo de Camilo e a maioria da bancada federal na base governista, terá impacto direto em projetos de infraestrutura, combate à pobreza, educação, segurança hídrica e desenvolvimento econômico, áreas estratégicas para o Cariri.

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