O futebol brasileiro brinca com a falência
Mesmo com dívidas bilionárias, grandes clubes brasileiros seguem gastando com contratações e seguem rumo a falência
(Foto: reprodução/Instagram)
Victor Nogueira
27/10/26 17:21

A radiografia financeira divulgada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) mostra uma realidade assustadora: os nossos clubes estão afundados em bilhões de reais. Enquanto a bola rola e os torcedores comemoram, os bastidores vivem uma farra de gastos que não faz o menor sentido.

Os números levantados pelo painel da Anresf são atestados de uma irresponsabilidade que compromete o futuro dos clubes. Para se ter ideia do buraco, o Atlético-MG deve R$ 2,66 bilhões, o Corinthians tem um passivo de R$ 2,08 bilhões, o Botafogo acumula R$ 1,78 bilhão e o Cruzeiro registra R$ 1,28 bilhão. Completam a lista o Palmeiras, com R$ 1,13 bilhão, o Internacional, com R$ 1,05 bilhão, e o Fluminense, com R$ 1,04 bilhão.

Qualquer empresa comum teria fechado as portas com uma dívida dessas, mas, no futebol, parece que todo mundo acha que a conta nunca vai chegar. Achar que a camisa salva o clube da falência é um erro grave, e clubes tradicionais da Europa já pagaram caro por isso, como o Rangers, da Escócia, que quebrou e foi parar na quarta divisão em 2012; o Parma, da Itália, que faliu e teve de recomeçar do zero no futebol amador; e o Bordeaux, da França, que, mesmo sendo seis vezes campeão nacional, hoje em dia sobrevive na sexta divisão.

A tradição e a paixão da torcida não pagam as contas. Se os dirigentes não mudarem o jeito de administrar, a próxima grande falência vai acontecer aqui no nosso quintal.

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