Quaest reduz vantagem de Flávio e Lula ganha fôlego na reta final
21/10/26 22:49

No mesmo dia, novas revelações sobre Willer Tomaz e a polêmica do Bolsa Família aumentaram a pressão sobre a campanha do PL. Em Fortaleza, Flávio reuniu uma multidão e reafirmou que manterá o benefício. Mas, não esconde o seu nervosismo.

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta (21), mostra a disputa presidencial mais apertada a quatro dias do segundo turno. Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Na rodada anterior, o senador tinha 46%, enquanto o presidente mantinha 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais: os dois estão em empate técnico. O dado que favorece Lula é a queda de seis pontos em sua rejeição, de 53% para 47%. A rejeição a Flávio também recuou, de 54% para 52%, mas o candidato do PL continua cinco pontos acima do presidente nesse indicador. A pesquisa ouviu 2.154 pessoas entre 17 e 20 de outubro. O levantamento não aponta uma virada consolidada: a oscilação de Flávio é pequena e está dentro da margem de erro. Mas a distância menor e a queda mais acentuada da rejeição a Lula tornam a disputa ainda mais aberta — e ampliam as possibilidades de vitória do petista na reta final.

A pesquisa foi divulgada em um dia de novas notícias sobre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e alvo de apurações da Polícia Federal. Segundo reportagem do UOL, baseada em informações publicadas por O Globo, um e-mail de 2024 mostra Tomaz dizendo ser “sócio ou acionista” de empresas ligadas à RioPag, operadora de pagamentos de apostas da Loterj. Relatórios do Coaf, citados na reportagem, apontam repasses de R$ 285,6 milhões da Embrasis para contas do advogado; a PF investiga se transferências fracionadas buscavam dificultar o rastreamento dos valores. Tomaz afirma que sua participação é indireta, por meio de empresas regularmente constituídas, e nega ter administrado a RioPag ou movimentado contas da companhia como pessoa física. Flávio e o advogado admitem a amizade, mas negam relação comercial ou irregularidades. Flávio Bolsonaro pediu ao STF acesso ao inquérito que apura suspeitas envolvendo sua relação com Tomaz. Outro desgaste veio da proposta da coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, de criar uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que aumentem a renda ou consigam emprego. A repercussão levou o candidato a negar que pretenda acabar ou reduzir o programa. Em Fortaleza, diante de uma multidão, Flávio voltou a prometer que manterá o benefício. O ato no entorno da Arena Castelão ocorreu no mesmo dia em que a Quaest confirmou o empate técnico e em meio a novas notícias sobre Tomaz — uma combinação que manteve a campanha do PL sob pressão na reta final.

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