Bienal Internacional de Dança leva espetáculos e ações formativas ao Cariri
Evento acontece de quarta-feira (21) a sábado (24), com espetáculos e oficinas
Foto: Ângela Macedo
Joaquim Júnior
19/10/26 16:47

As cidades de Crato e Juazeiro do Norte recebem, entre quarta-feira (21) e sábado (24), programação da 10ª Bienal Internacional de Dança de Par em Par. Além dos municípios caririenses, as ações também serão realizadas em Fortaleza, Paracuru, Pacatuba, Canoa Quebrada/Aracati, Baturité e Guaramiranga.

A Bienal de Dança do Ceará nasceu em 1997, fruto direto da mobilização e da demanda da própria classe artística reunida no Fórum de Linguagens, que reivindicava políticas públicas e espaços de visibilidade para a dança no Ceará. O evento, feito inicialmente a cada dois anos, passou a ser realizado também nos anos pares, a partir da criação da edição De Par em Par, trazendo como marca a transdisciplinaridade e a expansão de fronteiras: dança-teatro, videodança, performance e intervenções urbanas.

Segundo João Paulo Pinho, coordenador de produção, a proposta central sempre foi ultrapassar as paredes dos teatros convencionais para ocupar ruas, praças e o espaço público em diálogo direto com a cidade – proposta esta que, inclusive, motivou a aproximação com o Cariri, nos primeiros anos da década de 2000. “O Cariri é um polo de criação incontornável, e descentralizar o acesso à dança contemporânea sempre foi uma diretriz fundamental do projeto”, afirma, ao dizer que tanto as cidades da região recebem a programação como criadores e companhias caririenses participam das ações em Fortaleza e outros municípios do Ceará.

“Guardamos na memória momentos históricos, como a inesquecível abertura da Bienal protagonizada pela Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, que sintetiza essa potência”, lembra. Dessa forma, ele destaca que a grande contribuição dos artistas do Cariri para a identidade da dança cearense reside na habilidade singular de construir pontes vivas entre a tradição e a contemporaneidade.

Nesta edição, a programação destaca a diversidade como princípio orientador. Segundo o coordenador, ela se manifesta na multiplicidade de corpos, linguagens e territórios que ocupam a grade. “O diálogo vai além da temática evidente: todas as produções nordestinas presentes trazem a cultura tradicional inscrita em seu modo de mover, de narrar e de existir. É a nossa raiz indelével”, afirma João Pinho, destacando a atuação da Companhia Alysson Amâncio, para constatar que o Nordeste é presença indispensável.

Além dos espetáculos, a Bienal conta com ações formativas como a oficina do grupo Três em Cena, no Crato, além de palestras, residências artísticas, percursos de criação e registros em videocast, pensados para qualificar e estimular a cadeia produtiva local. “Contudo, acreditamos que o impacto mais duradouro se dá na convivência diária do festival. Os encontros informais entre técnicos, artistas e produtores — seja nos bastidores, nas ruas ou nos debates pós-apresentação — geram redes de afeto, troca de metodologias e parcerias de trabalho que continuam muito tempo depois que as cortinas se fecham”, conclui João Pinho, ao dizer que a perspectiva para as próximas edições é seguir aprofundando esses canais de coprodução e intercâmbio com o Cariri, garantindo que a região seja palco de acolhimento e território copensador das diretrizes curatoriais da Bienal.

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