Elmano chama Ciro de “quinta coluna” e nega territórios dominados por facções no Ceará
26/08/26 23:02

O governador Elmano de Freitas (PT) elevou o tom contra Ciro Gomes (PSDB), durante sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo nesta quarta (26). Ao mesmo tempo em que partiu para uma ofensiva política contra o principal adversário na disputa pelo Governo do Ceará, Elmano enfrentou um dos temas mais delicados de sua campanha: a segurança pública e o avanço das facções criminosas no Estado.

A declaração mais dura foi dirigida a Ciro. Elmano acusou o ex-governador de ter abandonado sua trajetória no campo progressista e passado a atuar como aliado do bolsonarismo. O governador classificou Ciro como “quinta coluna do bolsonarismo no Brasil”. Para Elmano, a ruptura teria ficado evidente nas eleições municipais de Fortaleza, em 2024, quando Ciro apoiou André Fernandes (PL) contra Evandro Leitão (PT). Na avaliação do governador, a estratégia eleitoral de Ciro em 2026 teria como objetivo enfraquecer Lula, justamente em um dos estados onde o presidente possui maior força eleitoral.— A candidatura dele tem como objetivo basicamente tentar diminuir a força política eleitoral do Lula no Ceará. Não vai conseguir — afirmou Elmano.

A fala deixa clara a estratégia que começa a ganhar força na campanha governista: colar definitivamente Ciro ao bolsonarismo e transformar a eleição estadual também em uma disputa Lula versus Bolsonaro no Ceará.

Outro momento importante da sabatina ocorreu quando Elmano foi confrontado sobre a segurança pública. O governador reconheceu que a violência é um problema grave, mas rejeitou a tese de que existam territórios cearenses sob domínio das organizações criminosas. Elmano procurou deslocar parte da discussão para uma dimensão nacional. Segundo ele, grande parte dos chefes das facções que atuam no Ceará estaria escondida no Rio de Janeiro, onde, afirmou, as forças policiais não conseguem alcançá-los. O governador também apresentou como resultado de sua política de enfrentamento ao crime organizado a prisão de cerca de 5 mil integrantes de facções durante sua gestão e defendeu uma articulação nacional mais forte contra essas organizações. A segurança pública já havia provocado um dos confrontos mais duros entre Elmano e Ciro no debate da Band. Na ocasião, o governador reagiu às críticas do adversário, lembrando que a primeira célula do Comando Vermelho teria chegado ao Ceará em 1993, quando Ciro ocupava o Governo do Estado.

A sabatina mostrou que a eleição cearense começa a ter dois campos de batalha muito bem definidos. Elmano quer discutir política: Lula contra Bolsonaro, tentando enquadrar Ciro como aliado do bolsonarismo. Ciro quer discutir segurança e gestão: explorando principalmente o medo da população diante das facções e responsabilizando o atual governo pela crise. Elmano tenta, agora, virar esse jogo. Em vez de permanecer apenas na defensiva sobre a violência, passou também a responsabilizar adversários e a sustentar que o combate às facções ultrapassa as fronteiras do Ceará.

A estratégia tem risco e oportunidade. Ao negar a existência de territórios dominados por organizações criminosas, Elmano assume uma posição que certamente será explorada por Ciro ao longo da campanha. Por outro lado, ao reconhecer a gravidade da segurança e apresentar números de prisões e ações policiais, tenta mostrar que seu governo não está indiferente ao problema.

A sabatina deixou uma certeza: segurança pública e a ligação de Ciro com o bolsonarismo devem ocupar o centro da guerra eleitoral pelo Palácio da Abolição.

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