Camilo parte para cima de Ciro antes do horário eleitoral: sinal de preocupação ou virada
Camilo entra na ofensiva contra Ciro
Donizete Arruda
24/08/26 18:07

A decisão do senador Camilo Santana, de entrar pessoalmente na ofensiva contra Ciro Gomes, a apenas quatro dias do início do horário eleitoral gratuito, é um movimento que merece atenção. Camilo não esperou a campanha de televisão começar. Antecipou o confronto e escolheu Lula como principal arma para tentar desmontar uma das forças de Ciro: o voto do eleitor lulista que, mesmo apoiando o presidente, admite escolher Ciro para o Governo do Ceará. O gesto permite duas leituras — e elas não são necessariamente contraditórias. A primeira é que Ciro continua sendo o adversário a ser batido. Se estivesse perdendo força ou deixando de representar ameaça real à reeleição de Elmano, dificilmente Camilo colocaria seu próprio capital político em campo tão cedo. Ao assumir pessoalmente o ataque, o ex-governador reconhece que a liderança de Ciro precisa ser enfrentada antes que se consolide. Mas existe uma segunda leitura: o grupo de Elmano pode estar percebendo que a eleição começou a mudar de temperatura. A antecipação da ofensiva sugere que o governismo acredita ser possível encostar em Ciro — e pretende acelerar esse movimento com a chegada do rádio e da televisão. Camilo parece ter identificado onde atacar: no voto casado do presidente Lula com Ciro governador, que hoje assegura a liderança de Ciro nas pesquisas Quaest e DataFolha, com diferença de dois dígitos.


Camilo age para bater
no maior ponto fraco de Ciro


A mensagem do senador Camilo Santana não tenta convencer o eleitor bolsonarista nem o eleitor já consolidado com Ciro. O alvo dele é outro: aquele eleitor que diz vota em Lula para presidente e em Ciro para governador. É nesse eleitor que Camilo pretende produzir uma ruptura. Ao recuperar antigas declarações de Ciro contra Lula e repetir que “quem vota em Lula não vota em Ciro de jeito nenhum”, Camilo começa a construir a principal narrativa que, provavelmente, será levada para o horário eleitoral gratuito de rádio e televisão: “Lula lá, Elmano aqui. Isso revela também que a campanha do governador Elmano não pretende deixar a eleição estadual confinada aos problemas do Ceará. Quanto mais estadualizada for a disputa, maior será o espaço de Ciro para confrontar quase duas décadas de governos do mesmo grupo político. Quanto mais nacionalizada, maior poderá ser a vantagem de Elmano, beneficiado pela força eleitoral de Lula no Ceará. Por isso, a entrada antecipada de Camilo não deve ser interpretada simplesmente como demonstração de desespero. É, antes, uma operação política para mudar o eixo da eleição. Ciro ainda parece ocupar a posição de candidato a ser alcançado. Mas Camilo age como quem acredita que existe uma janela para encurtar essa distância.

Estratégia de Camilo
foi antecipar duelo com Ciro


Nessa guerra de narrativa de Camilo Santana contra Ciro Gomes, tendo o apoio do presidente Lula como pano de fundo, há um detalhe importante: Camilo decidiu começar esse conflito antes da largada da propaganda eleitoral gratuita, marcada para sexta (28). Isso significa que a turma de Elmano não quer utilizar a televisão e o rádio apenas para apresentar o Governador. Quer chegar ao horário eleitoral com uma tese previamente plantada na cabeça do eleitor: Lula e Ciro seriam eleitoralmente incompatíveis. A pergunta que passa a comandar essa fase da campanha é outra: Camilo está atacando porque Ciro continua muito forte ou porque pesquisas internas mostram Elmano se aproximando? A resposta provavelmente aparecerá nas próximas pesquisas. Por enquanto, o movimento revela uma certeza: Ciro continua no centro das preocupações do Palácio da Abolição. Mas Camilo decidiu que não vai esperar a televisão para tentar virar o jogo. Nesse quadro eleitoral ainda muito confuso, à espera de fatos que definam um vencedor ainda no primeiro turno ao governo do Ceará, não é possível concluir apenas pelo ataque, que Elmano já esteja ameaçando a liderança de Ciro. O dado político seguro é que Camilo considera o “lulista-ciro” decisivo e quer começar a desgastar esse voto cruzado, antes que a propaganda eleitoral amplifique a disputa.


No Crato, Ciro prioriza
a pauta da segurança
 
É incontestável que a campanha no Ceará está pautada prioritariamente na Segurança Pública. E vale ressaltar a importância do tema para que os dois principais candidato ao Abolição - Elmano e Ciro- apresentem as propostas para o problema. Mesmo sem atacar de forma direta e sem citar nomes, Ciro Gomes joga com o perigo ao atingir genericamente a Justiça no discurso anti-facção. No discurso, Ciro disse que “faz tanto tempo que as facções dominam o estado, que elas foram subindo para a lavagem de dinheiro. E agora estão enroladas com dinheiro muito grande”. Segundo Ciro disse, no domingo, em evento no Crato, é dinheiro na casa de bilhão, que “dá para comprar político, dá para comprar juiz, dá pra comprar ministério público, se não tiver o olho do dono, se não tiver um governador sem rabo de palha”. Esse duro discurso de Ciro ocorreu durante a inauguração do comitê do candidato a deputado federal Aloísio Brasil. Em quase os seus eventos públicos, seja no Cariri, em Fortaleza, ou qualquer região do Ceará, Ciro tem denunciado o crescimento das organizações criminosas no Estado. Tem repetido que, em noventa dias, prende o ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz, que está foragido desde o dia 06 de dezembro de 2024. Para Ciro, hoje não é possível cravar sequer que Bebeto Queiroz continue vivo. Mas, se estiver, será preso e terá de contar todo o esquema de propinoduto das facções no Ceará.
 
Camilo cobra política
nacional de segurança

 
Diante de um debate contaminado pelo processo eleitoral, durante agenda em Juazeiro do Norte, Camilo Santana rebateu acusações sobre a ausência de ações firmes contra o crime organizado no Ceará. Camilo foi didático ao afirmar que “ninguém vai resolver o problema da segurança no grito, achando que é o xerifão, ninguém”. Um recado claro ao candidato Ciro Gomes, que tem atacado o governo Elmano e seus antecessores. Camilo avaliou que é preciso agir com inteligência para asfixiar o crime, pegando o dinheiro das facções. Sobre as ações do governo Elmano, Camilo lembrou que já “foram bloqueados R$ 3,5 bilhões das organizações criminosas”. Principal articulador das candidaturas de Elmano e Lula no Ceará, Camilo garante que “o problema da violência no Brasil ultrapassou as fronteiras dos estados”, exemplificando que “tem um cara lá no Rio de Janeiro, dando comando aqui no Ceará e um cara em São Paulo dando um comando no Rio Grande do Norte”. Camilo jogou a responsabilidade no governo federal, ao avaliar que “se você não tem um sistema nacional para esse enfrentamento, dificilmente, sozinho, você vai conseguir”. Esse debate ameaça incendiar tanto as eleições presidenciais quanto as eleições no Ceará.
 
Glêdson considera uma
catástrofe Elmano de novo

 
Na linha Ciro Gomes, o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra, jogou pesado contra a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas. O prefeito tem classificado o cenário de uma possível reeleição de Elmano como uma “catástrofe” para Juazeiro. A afirmação chocou, mas o prefeito explicou que não poderia ficar pior. “Por tudo que eu vivi, acho que seria uma catástrofe para Juazeiro. Seria muito ruim para Juazeiro do Norte. Por tudo que eu vivi, não pelo que eu acho”. Em caso de vitória de Elmano, Glêdson disse que não têm outra opção e que vai continuar batendo à porta do Governador. “Em acontecendo, eu preciso tentar. Eu preciso bater à porta do mesmo jeito que eu bati várias vezes”. Glêdson justificou a afirmação: “Eu fiz tudo que foi possível fazer. Votei em quem votou nele. Eu pedi ajuda, eu fiz tudo. Mas, não tem jeito. Daí, vai fazer o que? Ainda hoje, eu estou falando que preciso receber R$ 10 milhões”. Essas declarações de Glêdson mostram um acirramento na interlocução entre os governos Elmano e Glêdson, como também junto aos aliados governistas do Cariri. O ambiente está carregado nesta relação entre Abolição e prefeitura de Juazeiro. Será difícil restabelecer um diálogo, antes das eleições, até porque nenhuma partes acredita estar errada ou querer recuar de suas posições.

Disse me disse:

As futuras bancadas do Ceará, na Câmara Federal e na Alece, estão sendo definidas. Há muitas disputas abertas entre os diversos partidos. Na Alece, PSB fará a maior bancada, devendo eleger no mínimo 11 deputados, mas podendo chegar a 14. O PT ficará em segundo, emplacando entre nove e 11 deputados. PSDB-Cidadania acredita que faz entre cinco a oito deputados

Para a Câmara Federal, o quadro atual aponta que o PL elegerá a maior bancada com cinco federais. Em seguida, vêm PSB, PSD, Federação União Progressista, com três cada, MDB e PT emplacam dois federais cada. E PRD e Republicanos elege um cada.

A soma até aqui chega a 20. Faltam definir duas vagas de federais. O PSB é favorito a fazer a quarta vaga. E o PT faz contas e confia que eleja um terceiro federal. Contudo, PSD e Federação União Progressista não estão fora do páreo, e dizem estarem nessa briga por mais uma vaga.
 
O presidente da Câmara de Juazeiro do Norte, Felipe Vasques, pediu licença para se dedicar à campanha eleitoral. Ele é candidato a deputado estadual. No seu lugar, assumiu o Poder Legislativo juazeirense a vereadora Pergentina Jardim.
 
Com Felipe, a Câmara de Juazeiro tem seis candidatos a deputados. Além do presidente, nenhum outro ainda pediu licença para se dedicar à campanha.
 
A desistência de Nelinho Freitas, da disputa a deputado federal, gerou interesses sobre seu apoio. O senador Camilo Santana pediu para que Nelinho votasse em Fernando Santana. Nelinho prometeu o voto no Cariri.
 
Nelinho já havia anunciado voto em Wellington Saboia. Camilo quer o voto em Fernando e Giovanni Sampaio para estadual. A família de Nelinho está com Luciano Bazílio para estadual e Adail Carneiro para federal.

Yury do Paredão inaugurou o seu comitê em Juazeiro do Norte, no final de semana. Intensificou suas viagens por todo o Ceará e trabalha confiante que o MDB elegerá ele e Neném Coelho - candidato do prefeito Evandro Leitão. A vitória de Neném depende do desempenho de Yury superar os 220 mil votos.

Desculpe a ignorância, esquentou de vez o embate verbal entre Camilo Santana e Ciro Gomes?

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