Artistas do Cariri participam de residência artística na Serra da Capivara
Dupla foi selecionada pelo IV Edital de Residências e Intercâmbios Artísticos do Centro Cultural do Cariri
Foto: Divulgação
Joaquim Júnior
15/08/26 9:30

Dois artistas do Cariri cearense vivem, neste mês de agosto, uma experiência de pesquisa e criação na Serra da Capivara, no Piauí. Márcio Silvestre, roteirista e realizador audiovisual, e Borboletícia, poeta e performer, foram selecionados para uma imersão de dez dias na Residência Artística Capivara, na cidade de Coronel José Dias, no Piauí.

A experiência integra o IV Edital de Residências e Intercâmbios Artísticos do Centro Cultural do Cariri 2026, nas modalidades Flecha-Audiovisual e Flecha-Literatura, destinadas a artistas nascidos e residentes nos municípios caririenses. A iniciativa acontece em parceria com a Residência Artística Capivara pelo segundo ano consecutivo.

O intuito é a busca pela ampliação do intercâmbio com produções e instituições de outros territórios do país, proporcionando aos participantes novas referências para seus processos de criação. A residência acontece durante todo o mês de agosto de 2026, iniciando na cidade de Coronel José Dias, no Piauí, e encerrando com vivências, pesquisa e a partilha social no Cariri cearense.

“Essa experiência na Serra da Capivara tem sido singular para o meu processo de escrita. Tenho observado a paisagem não apenas como cenário, mas como um agente que interfere na maneira como as pessoas vivem, constroem relações, elaboram suas crenças e contam suas histórias. Interessa-me entender o povoamento, os ritos e as manifestações culturais a partir das pessoas que continuam produzindo esse território no presente”, explica Márcio.

A investigação integra o processo de pesquisa do roteirista para seus projetos autorais e, particularmente, para a série Água Benta Milagrosa, comédia dramática ambientada no Cariri que acompanha uma família envolvida com a comercialização fraudulenta de água benta durante a romaria de Nossa Senhora das Candeias.

Na literatura, Borboletícia desenvolve durante a residência o projeto “Caderno-Seiva: fragmentos de corpo, terra e criação”. A artista atua como poeta, performer, escritora, artesã, contadora de histórias, comunicadora popular e educadora ambiental, tendo na oralidade uma das principais ferramentas de seu trabalho. Sua pesquisa parte da imersão na Caatinga piauiense para estabelecer relações entre território, memória e ancestralidade, aproximando as experiências encontradas na Serra da Capivara das próprias referências construídas no Cariri, sua terra natal.

“A vivência tem sido um processo imersivo na Caatinga piauiense e na própria história do nosso povo, tanto enquanto território afetivo que nos faz nordestinos como enquanto ocupantes desse planeta desde tempos pré-históricos. Estudar nosso passado através das histórias contadas nas pedras e perceber as diversas semelhanças que ligam o Cariri ao Piauí tem sido enriquecedor para construir um processo poético embasado na nossa própria história”, destaca Borboletícia.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
RECOMENDADAS PARA VOCÊ
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE