Cid acumula adversários e tensão interna ameaça virar problema para Elmano
12/08/26 19:37

Rompimento com Ciro, atritos na base governista e veto à presença do Cariri na chapa ampliam isolamento político do senador Cid Gomes. Cid parece ter escolhido uma eleição dentro da eleição de 2026. Mais do que a própria campanha pela reeleição ao Senado, seus movimentos políticos indicam que derrotar o irmão Ciro Gomes tornou-se a sua principal batalha. O episódio mais recente veio a público nesta quarta (12), após o primeiro debate entre Ciro e o governador Elmano de Freitas, realizado pela Band Ceará. Cid evitou fazer diretamente uma avaliação negativa do irmão, mas recorreu à análise do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira: “O Ciro chegou com um sapato alto […] e se deparou com uma pessoa que estava muito preparada e com muitas informações.” Cid ainda elogiou o preparo de Elmano e afirmou que o governador apresentou informações que contradiziam dados utilizados por Ciro no debate.

A declaração reforça uma realidade que já não pode mais ser escondida: Cid está politicamente em campo contra Ciro. O rompimento entre os irmãos deixou de ser apenas familiar ou partidário e passou a ocupar posição central na disputa pelo poder no Ceará. O problema para Cid é que, enquanto enfrenta Ciro, acumula conflitos em outras frentes. O senador já protagonizou divergências na montagem da chapa majoritária. No Cariri, o desgaste ganhou dimensão especial depois da disputa em torno da indicação de Catiane Landim, primeira-dama de Barbalha, para uma suplência ao Senado.

Catiane chegou a ser defendida publicamente como representante do Cariri na chapa. O ex-vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Giovanni Sampaio, por exemplo, cobrou espaço para a região e lançou publicamente o nome da primeira-dama de Barbalha para uma das suplências de Luizianne Lins. Cid vetou a indicação de Catiane durante as negociações finais. Se confirmado politicamente esse veto, seu efeito vai muito além de um nome retirado da chapa. Catiane é esposa do prefeito de Barbalha, Guilherme Saraiva, liderança diretamente ligada ao grupo de Camilo Santana. O episódio passou a ser interpretado no Cariri como uma demonstração da disputa por espaços e influência dentro da própria base de Elmano.

Assim, Cid entra na campanha carregando uma coleção crescente de adversidades políticas: o rompimento irreversível com Ciro, antigas divergências com Eunício Oliveira e novas insatisfações dentro do campo governista e do Cariri.

No núcleo mais próximo do senador, dois nomes permanecem fundamentais: Elmano de Freitas e Júnior Mano. Foi justamente uma articulação envolvendo Lula e Elmano que consolidou a candidatura de Cid à reeleição, com Júnior Mano na primeira suplência. A composição foi anunciada oficialmente em julho. Mas isso não significa ausência de tensões dentro da aliança. Cid não consegue esconder as dificuldades na relação com setores próximos a Camilo Santana e ao prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão. São divergências que precisam ser administradas porque todos estão formalmente no mesmo projeto eleitoral.

E aí surge o maior risco para Elmano: precisa de uma coligação ampla para enfrentar Ciro. Cid, ao contrário, chega à campanha carregando sucessivos confrontos políticos. Quanto mais essas disputas internas aparecem, maior o risco de a campanha governista gastar energia administrando sua própria base em vez de concentrar forças no adversário.O paradoxo é evidente: Cid foi colocado na chapa para agregar força política, mas seus conflitos podem acabar produzindo o efeito contrário.

A eleição para o Senado também não oferece tranquilidade. Pesquisa Atlas/Focus, divulgada nesta quarta-feira (12), aponta Luizianne Lins, Cid Gomes e Capitão Wagner tecnicamente empatados. Foram entrevistados 1.774 eleitores entre 6 e 11 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Na disputa pelo Governo, a pesquisa Atlas/Focus mostra a liderança de Ciro vencendo no primeiro turno: 49,6 a 44,3%, numa maioria de 4,7 pontos percentuais. Por isso, a pergunta que começa a circular na campanha governista é inevitável: até que ponto a guerra particular de Cid contra Ciro ajuda Elmano — e a partir de que momento passa a atrapalhá-lo?

No Cariri, depois da disputa envolvendo Catiane Landim, essa pergunta ganhou ainda mais peso.

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