Lula prioriza eleição de Luizianne ao Senado e amplia pressão sobre Cid
06/08/26 22:16

A conversa telefônica desta quinta (06), entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a deputada federal Luizianne Lins, articulada pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reforçou os sinais de que o Palácio do Planalto pretende dedicar atenção especial à disputa pelo Senado no Ceará.

Segundo aliados do governador Elmano e do senador Camilo, que acompanharam a articulação, o diálogo ocorreu em clima cordial e foi interpretado como um gesto político de prestígio à candidatura de Luizianne. A avaliação dentro do PT é de que Lula deverá participar ativamente da campanha para fortalecer sua eleição, transformando a vaga ao Senado em uma das prioridades da estratégia de Lula no Estado.

Esse movimento também altera o equilíbrio interno da base do governador Elmano de Freitas. Embora o senador Cid Gomes esteja no mesmo palanque, sua posição política é vista como mais delicada diante do histórico de divergências e episódios que marcaram sua relação com o PT e com Eunício Oliveira, do MDB.

Entre petistas, ainda permanecem lembranças de embates políticos do passado, incluindo declarações públicas de Cid que provocaram desgaste na relação com Lula: “o Lula tá preso, babaca”. Além disso, adversários internos e antigos aliados recordam episódios eleitorais que consideram controversos, como as disputas de 2018, quando Cid articulou e derrotou à reeleição do senador Eunício, elegendo Eduardo Girão. Em 2022, as divergências que antecederam a eleição estadual, fatos frequentemente citados por seus críticos, são considerados lamentáveis, pois Cid traiu o irmão Ciro Gomes, e se recusou a participar da campanha de Elmano.

A leitura predominante é que Luizianne reúne, hoje, maior identidade histórica com o projeto nacional liderado por Lula, fator que pode resultar em maior presença do presidente na campanha da deputada ao longo do processo eleitoral.

Enquanto isso, Cid Gomes terá o desafio de preservar sua força política em meio a um ambiente de cobranças e resistências acumuladas ao longo dos últimos anos. Integrantes da própria base admitem, reservadamente, que antigos adversários e aliados rompidos acompanham atentamente a campanha e enxergam na disputa deste ano uma oportunidade para reabrir antigas contas políticas.

Com Lula entrando mais diretamente na campanha e José Guimarães consolidando sua influência na montagem da chapa governista, a corrida pelas duas vagas ao Senado promete se transformar em um dos principais focos da disputa eleitoral no Ceará.

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