Cid Gomes assume o protagonismo e redesenha a chapa do governador Elmano
14/07/26 0:00

As articulações para a formação da chapa do governador Elmano de Freitas ganharam um protagonista claro: o senador Cid Gomes. Depois de semanas de negociações, Cid passou de possível coadjuvante a principal fiador da composição que deverá levar a base governista às eleições de 2026. Segundo apuração dentro Abolição, Cid aceitou disputar a reeleição ao Senado e, com isso, passou a conduzir a montagem da chapa majoritária. O movimento reorganizou o tabuleiro político e fortaleceu sua influência sobre as decisões da base de Elmano. O desenho que emerge das negociações tem Elmano candidato à reeleição, Domingos Filho ocupando a vaga de vice-governador — posição considerada consolidada nas conversas por ser indicação do PSD — e Cid Gomes e Luizianne Lins formando a dupla de candidatos ao Senado. A composição também contempla Júnior Mano como primeiro suplente de Cid Gomes e Izolda Cela como primeira suplente de Luizianne Lins, numa engenharia política destinada a contemplar os diversos grupos da base governista. Até o momento, porém, essas definições não foram ainda oficializadas pelos partidos, mas este anúncio está próximo, pois a convenção do PT ocorrerá no dia 1º de agosto. O deputado Eunício Oliveira, que durante meses figurou entre os principais cotados para disputar uma das vagas ao Senado, perdeu espaço. A nova configuração evidencia o peso político recuperado por Cid Gomes, como um dos principais responsáveis pela costura política que busca garantir a vitória de Elmano contra seu irmão, Ciro Gomes.

Irmãos Ciro e Cid Gomes se tornam inimigos políticos

O enterro do ex-prefeito e bilionário empresário Jonas Muniz acabou se transformando, assim, em mais um retrato da divisão política da família Ferreira Gomes, evidenciando que a ruptura entre os irmãos ultrapassou as divergências partidárias e segue marcando os principais eventos da política cearense. O episódio do sepultamento do ex-prefeito seis vezes, em Cruz, simboliza o momento vivido pelos irmãos, que hoje ocupam campos políticos opostos na disputa eleitoral de 2026. Enquanto Cid atua na base de sustentação do governador Elmano de Freitas e será candidato ao Senado, Ciro lidera o principal bloco de oposição ao governo estadual e disputará o Abolição. No mesmo ambiente estiveram o governador Elmano de Freitas, o senador Cid Gomes, o deputado federal Moses Rodrigues, além do ex-ministro Ciro Gomes e do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e Capitão Wagner. Mais do que as homenagens a Jonas Muniz, o que chamou a atenção de quem acompanhou a cerimônia foi a presença dos irmãos Cid e Ciro Gomes no mesmo espaço, sem qualquer demonstração pública de aproximação. A ausência de um simples cumprimento entre ambos reforçou, para aliados e observadores presentes, o profundo distanciamento político entre os dois. A guerra política entre os irmãos Cid e Ciro Gomes escalonou e ganhou mais um capítulo neste domingo, durante a partida do ex-prefeito de Cruz, Jonas Muniz. Embora estivessem no mesmo local e participassem da mesma cerimônia, os dois não tiveram qualquer interação pública. Sinalizaram que hoje são não apenas adversários, mas sim inimigos públicos.

Cresce pressão para vice de Ciro ser do Cariri

Depois de um afastamento com o prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), que ainda não foi explicado, o pré-candidato da oposição ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), resolveu iniciar as discussões para a montagem do seu plano de governo pela região do Cariri. Ciro não veio, mas seu candidato a vice-governador, Roberto Cláudio (União), fez questão de enaltecer a importância do Cariri e do prefeito Glêdson no processo. Glêdson mandou técnicos da sua gestão para discutir e passou pelo evento apenas à tarde. Roberto Cláudio foi pressionado a explicar o porquê do Cariri não indicar o vice na chapa, como havia sido prometido. Disse que reabriria a discussão na cúpula da pré-campanha. Há muita insatisfação com a posição, principalmente, em Juazeiro. Outras lideranças do Crajubar, como os ex-prefeitos de Crato e Barbalha, Zé Adega (PL) e Argemiro Sampaio (PSDB), respectivamente, além do suplente de deputado estadual, Aloísio Brasil (União), estiveram presentes, e fizeram menos pressão. Juazeiro espera uma manifestação de Ciro. Nas redes sociais, Glêdson mandou recado sobre a necessidade do vice de Ciro ser do Cariri, ao destacar a importância da região. “Mais uma vez, o Ciro começa essa nova etapa da pré-campanha a partir daqui, do nosso Cariri”.

Eunício pressiona para ser candidato ao Senado

Eunício Oliveira gravou um vídeo neste domingo (12), para informar que a sua recuperação de saúde evolui de forma positiva e para transmitir um recado político: continua no jogo eleitoral de 2026. “Passando por aqui, neste domingo, para dizer que a minha recuperação está sendo excelente e, em breve, estaremos juntos novamente. O trabalho continua, porque o Ceará precisa continuar avançando. Vamos seguir na luta para que nosso estado continue crescendo, gerando oportunidades e melhorando a vida do nosso povo. E está chegando a hora de comparar quem trabalha de verdade com quem vive só no discurso”. A mensagem foi interpretada por aliados do governador Elmano como uma demonstração de que Eunício não pretende abrir mão da candidatura ao Senado. Ele considera que permanece de pé o compromisso político de integrar a chapa do governador Elmano. O cenário, porém, tornou-se mais complexo após o avanço das articulações conduzidas por Cid Gomes, que passou a defender uma composição diferente para as vagas ao Senado. Cid trabalhou para consolidar uma chapa com seu próprio nome e o da deputada federal Luizianne Lins. É justamente nesse ponto que surge o impasse. Eunício não aceita perder o espaço que considera ter sido previamente assegurado e demonstra disposição para manter a sua pré-candidatura ao Senado até o limite das negociações. Ou, concordaria também em ser vice-governador de Elmano.

Ex-assessor de Guimarães assume nova tarefa

No Cariri, há quem garanta que está instalada uma pequena crise entre o ministro José Guimarães e o deputado estadual Fernando Santana. A avaliação veio à tona, após Guimarães substituir seu principal articulador, Higor Carlos, por uma comissão de seis nomes distribuídos em municípios diferentes. Higor estava sendo questionado por lideranças municipais, por articulações “desastrosas” para a eleição de 2024. Menos de uma semana após anúncio ter sido feito por Guimarães, o próprio Higor foi às redes sociais anunciar seu novo assessorado, o pré-candidato a deputado federal Fernando Santana. Quando compôs a assessoria de Guimarães, Higor implodiu a atuação do vereador juazeirense, Barbosa Neto (PT). Na assessoria de Fernando, o principal nome é o ex-prefeito de Assaré, Samuel Freire, que passará a atuar em dobradinha com Higor Carlos. Nomes da base de Fernando no Crajubar não vêem inconveniente algum com esse reforço e garantem que Higor vem para somar. Samuel está entre os que fazem a avaliação. Essa busca da unidade entre assessores de Fernando Santana tem um objetivo maior: elegê-lo deputado federal, numa campanha bem acirrada. Hoje, o PT só faria uma bancada com 02 federais. Um esforço para conquistar o terceiro federal. Mas, as contas favoráveis ainda não foram batidas.

Força de Yury do Paredão impulsiona votos no Cariri

Com atuação reconhecida em Brasília por duas dezenas de prefeitos que apóiam a sua reeleição, o deputado caririense, Yury do Paredão (MDB), tem reclamado de perseguição política, diante da expectativa de ser um dos 03 deputados mais votados no Estado. Nas últimas semanas, Yury teve seu nome exposto em matérias envolvendo denúncias ao Ministério Público Federal, sobre recursos públicos destinados ao Festival Expocrato, criação de uma área para convidados no mesmo evento, além da compra de uma aeronave. Yury garante que tudo tem sido feito dentro da lei e desafia quem possa provar algo ilícito. Nenhuma das denúncias teve posição da Justiça, mas essas informações visariam desgastar a imagem do parlamentar e impedir ser ele um dos mais votados no Ceará. Na base de Yury, o consenso é de fogo amigo. E ele reagiu rápido: Sobre a sua empresa de táxi aéreo, dispensou logo o empréstimo de R$15 milhões do BNB e disse que financiará com seus próprios recursos a aquisição de uma aeronave pela The Táxi Aéreo, que será a primeira empresa de aluguel de jatinhos no Cariri. Sobre a Expocrato, Yury alega estar trabalhando intensamente para manter esse evento como uma das maiores festas populares do Brasil. Mesmo não querendo confronto direto, Yury sabe de onde está vindo os ataques.

Disse me disse…

Esquenta o clima de conflito dentro da federação PSDB-Cidadania em Juazeiro do Norte. Prefeito Glêdson disse que não mais responderá as mentiras do vereador Lukão, quando ocupa a tribuna da Câmara ou redes sociais. Glêdson sustenta que irá direto para a Justiça, onde já ganhou uma causa e aceitou uma retratação em outra do vereador oposicionista.

Denúncia de Glêdson: a pré-candidata Sandrinha Cavalcante, sua esposa, estaria sendo alvo de campanhas negativas nas redes sociais, para derrotá-la nas urnas de outubro.

Essa disputa entre Glêdson/Sandrinha e Lukão tem um problema: ambos e outros poucos candidatos a deputado federal da federação PSDB-Cidadania não podem perder nenhum voto, pois o quociente eleitoral este ano para fazer um federal deve ultrapassar os 245 mil votos.

Se esse confronto Sandrinha versus Lukão prosseguir, e os dois diminuírem suas votações, ambos perdem porque não conseguirão eleger nenhum federal.

Na Câmara de Juazeiro a guerra entre oposição e situação promete. Depois de ter criticado a passagem de Lula pelo Cariri, “deixar nem parafuso” para Juazeiro, os vereadores Lukão e Auricélia Bezerra foram rebatidos.

O vereador Barbosa Neto (PT) e Giovanni Sampaio (PRD) desmentiram os críticos, ao afirmar que Lula destinou equipamentos importantes ao Hospital Regional. A oposição retrucou: o hospital é regional, não de Juazeiro.

Ninguém entendeu a justificativa do vereador Boaz das Rotatórias (PL), ao romper com o prefeito Glêdson Bezerra (Podemos). Depois de muito tempo, Boaz disse que a motivação foi a Zona Azul.

Boaz reclamou da atuação do secretário de Segurança, Cláudio Luz. E foi enfático ao dizer que não entendia a atuação de um quadro do PT em uma gestão de direita. Nos bastidores, a motivação foi outra.

Desculpe a ignorância, senador Cid Gomes indicou toda chapa do governador Elmano sem emplacar ninguém do Cariri?

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