Cariri e Parintins se encontram em projeto que celebra cultura popular brasileira
Projeto une artistas do Norte e Nordeste do Brasil
Foto: @aldamirchixaro
Joaquim Júnior
30/06/26 11:10

O Ceará e o Amazonas se conectam por meio do projeto “Conexão Cabocla: Da Ilha da Magia ao Cariri” que, no decorrer da semana, promove oficinas, curta-metragem e espetáculo. O principal objetivo do Conexão Cabocla é plantar uma semente de cooperação contínua, como o início de um canal permanente de diálogo entre os artistas de ambos os estados. O fortalecimento da rede de cultura popular do país, mostrando que a descentralização da arte é fundamental, também faz parte dos planos. A iniciativa é gratuita e livre para todos os públicos, com acessibilidade em Libras.

O projeto surgiu a partir do encontro entre a proponente Mônica Seffair e a produtora cultural Raíssala Bezerra na Turma do Mestrado em Artes da Cena – Laboratório em Artes e Mediação Cultural, realizado pela Escola Superior de Artes Célia Helena e a Fundação Itaú Cultural. A ideia de promover um intercâmbio entre Norte e Nordeste foi estruturada após um reencontro.

Foto: Eldiney Alcântara

“Escolhemos o Cariri por ser um dos maiores epicentros de cultura popular do país, um lugar onde a tradição pulsa viva no cotidiano das pessoas, assim como acontece em Parintins”, explica a dupla, ao destacar o desejo da Companhia Mônica Seffair de expandir as fronteiras da arte e criar pontes afetivas pelo Brasil. Viabilizado pela Lei Aldir Blanc (PNAB Amazonas), o projeto realiza a primeira circulação nacional.

“Queremos levar a força da mulher amazônica e a energia da nossa 'Ilha da Magia' para dialogar diretamente com o solo sagrado e cultural do Cariri”, conta Mônica. Como acredita, ao compartilhar técnicas de dança, produção e salvaguarda do patrimônio imaterial, cria-se um espaço de fortalecimento mútuo, onde o artista da floresta e o artista do sertão se reconhecem e se apoiam.

Mesmo que, à primeira vista, o Norte e o Nordeste pareçam distantes, ela ressalta que há entre eles uma essência cultural irmã “A principal conexão é o protagonismo do boi de terreiro e a nossa relação com o sagrado, com a festa da comunidade e com o folguedo popular, que no Cariri se manifesta lindamente através do Reisado”, explica a proponente, ao dizer que ambas as tradições nascem da resistência, do misticismo e da oralidade. “Além disso, tanto o Boi-Bumbá quanto o Reisado são formas de o povo contar sua própria história, celebrar seus heróis, suas lendas e manter viva a memória dos seus antepassados através da dança e do ritmo”, completa.

Na passagem pelo Cariri, de acordo com a proponente, o público pode esperar um encontro vibrante, cheio de emoção, cores e a energia inconfundível do tambor. “Minha mensagem para quem ainda não conhece a cultura de Parintins é: permitam-se sentir a Amazônia além dos estereótipos. O povo caboclo é feito de garra, de misticismo, de uma conexão profunda com os rios e com a floresta, transformada em pura poesia e movimento”, enfatiza Mônica, ao deixar o convite: “Venham de coração aberto para celebrar conosco esse grande encontro de terreiros. Parintins e o Cariri vão bater no mesmo compasso!”

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