Crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro aprofunda rachas no PL nacional e no Ceará
24/06/26 21:44

A disputa pelo comando das articulações eleitorais do PL ganhou um novo e intenso capítulo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro e elevou a tensão dentro do partido, ao contestar a estratégia eleitoral adotada pelo PL no Ceará.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro havia autorizado, antes de sua prisão, o apoio à pré-candidatura do senador Eduardo Girão, ao Governo do Ceará, e defendeu que a vereadora Priscila Costa seja candidata ao Senado.

Michelle também afirmou que Priscila teve papel decisivo na campanha de André Fernandes à Prefeitura de Fortaleza, especialmente na aproximação com o eleitorado feminino, e acusou integrantes do partido de aproveitarem a prisão de Jair Bolsonaro para retirar a parlamentar da disputa ao Senado e viabilizar uma aliança com Ciro Gomes.

Outro trecho que chamou atenção foi o questionamento sobre a escolha do candidato ao Senado. Michelle indagou por que não teria sido retirada a candidatura de Alcides Fernandes, pai de André Fernandes, em vez da de Priscila Costa, afirmando que Jair Bolsonaro não teria sido informado dessa decisão.

A crise ganhou dimensão nacional quando Michelle revelou um desentendimento direto com Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o senador telefonou após divergências sobre o palanque do Ceará, mas teria sido ríspido e dito que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por “não entender de política”.

Michelle afirmou ter considerado a conversa desrespeitosa e disse que apenas manifestava posição contrária à aliança do PL cearense com Ciro Gomes. Enquanto isso, André Fernandes reafirmou que manterá o apoio do PL cearense à candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado, sustentando que a decisão foi construída no Ceará e que o objetivo é unificar a oposição ao PT. O parlamentar declarou que Michelle pode manter sua posição, mas que a estratégia eleitoral no estado será conduzida pela direção estadual do partido.

Nos bastidores do PL do Ceará, dirigentes afirmam que a aliança com Ciro Gomes e a indicação de Alcides Fernandes para o Senado foram discutidas em reuniões com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e com Jair Bolsonaro, versão que diverge da narrativa apresentada por Michelle. Politicamente, o episódio amplia o desgaste interno do PL em um momento estratégico.

O confronto entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro expõe divergências sobre a condução das alianças estaduais e pode produzir reflexos tanto na campanha presidencial de Flávio quanto na consolidação da aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará. A troca pública de críticas também evidencia que a disputa deixou de ser apenas regional e passou a envolver diretamente a principal família política do partido.

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