Decreto que cria Jardim Botânico na Chapada do Araripe será assinado em Crato
Projeto depende de adequação às normas das unidades de conservação
Foto: Semma Crato
Joaquim Júnior
14/06/26 12:49

Nesta semana, a Prefeitura do Crato assinará o decreto que autoriza a criação do Jardim Botânico no município. Segundo George Borges, secretário de Meio Ambiente e Mudança do Clima do Crato, a proposta surgiu após a retomada de 27 hectares de uma área, localizada no Sítio Caiana, que tinha sido doada pelo Município a uma empresa privada, há cerca de 30 anos. Com a reincorporação do imóvel, que também deve receber um teleférico, a pretensão é criar um equipamento voltado à preservação ambiental, ao turismo ecológico e à pesquisa científica.

De acordo com o secretário, por se tratar de uma área inserida na Área de Proteção Ambiental (APA) Chapada do Araripe e na Floresta Nacional do Araripe (Flona-Araripe), estudos ambientais estão sendo desenvolvidos em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, discussões sobre licenças ambientais e demais temas são tratados entre o órgão, a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) e a Secretaria Municipal. A expectativa é que os trabalhos de revitalização da área tenham início até o começo de 2027.

Segundo Borges, o Jardim Botânico deverá priorizar espécies nativas da região do Cariri, presentes na Flona, na APA e em outros remanescentes de vegetação local. Ele afirma que já foram estabelecidas parcerias com universidades e que pesquisadores já desenvolvem pesquisas na área. O Sítio Caianas está localizado no sopé da Chapada do Araripe e abriga populações do soldadinho-do-araripe, ave endêmica e ameaçada de extinção.

Weber Girão, membro da Câmara Técnica Permanente de Unidades de Conservação do Conselho de Defesa do Meio Ambiente do Crato, explica que o Sítio Caianas está totalmente inserido no Refúgio de Vida Silvestre (Revis) federal. O Revis, criado há pouco mais de um ano e gerido pelo ICMBio, ainda não possui Plano de Manejo e está na fase de formação de Conselho Consultivo. Além disso, um Revis municipal vizinho, que completa sete anos de criação neste ano, também não possui Plano de Manejo, o que tem sido cobrado pelo Ministério Público do Ceará.

De acordo com o membro da Câmara Técnica, a área tem sobreposição com a Floresta Nacional do Araripe-Apodi, Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe e com o Refúgio Federal, o que a torna mais protegida, mas também exige consulta aos respectivos Planos de Manejo e Conselhos. “Em suma, criar um Jardim Botânico pode ser interessante, mas antes disso, muito tem que ser feito de forma participativa e dentro da legalidade”, afirmou Weber.

Na avaliação de Girão, independentemente da implantação do Jardim Botânico, a reativação da Levada do Caianas seria uma ação que beneficiaria as plantas, o soldadinho-do-araripe e os usuários de água, além de convergir para os objetivos de reconhecimento da Chapada do Araripe como Patrimônio cultural e ambiental da humanidade.

Sobre os impactos do projeto, o especialista pondera que os efeitos podem ser positivos ou negativos. “Há risco de impacto negativo e há risco de impacto positivo. Tudo dependerá da qualidade do projeto de instalação e de operação. Monitorar o impacto no soldadinho-do-araripe, por exemplo, é um jeito de fazer ajustes finos sobre um projeto geral. Isso foi uma condicionante para o Teleférico do Caldas”, opina o biólogo.

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