Barbalha vira palco da guerra eleitoral entre Elmano e Ciro
31/05/26 20:16

As eleições de 2026 ainda estão distantes no calendário oficial, mas já começaram no Ceará. O que se viu, neste fim de semana, em Barbalha, durante a tradicional Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, foi uma demonstração clara de que a disputa pelo Palácio da Abolição entrou definitivamente nas ruas. O episódio mais emblemático ocorreu durante a missa de abertura dos festejos. Dentro da igreja, apoiadores do governador Elmano de Freitas e do ex-ministro Ciro Gomes protagonizaram um constrangedor duelo de vaias. A tensão foi tão grande que o celebrante precisou interromper o clima de disputa para fazer um apelo público: “A igreja é a casa de Deus.” O sacerdote pediu respeito entre os grupos políticos, transformando um momento religioso em símbolo do ambiente de polarização que já domina a sucessão estadual.

Enquanto Elmano, Camilo Santana, Jade Romero, José Guimarães e Romeu Aldigueri concentravam as atenções de um lado, Ciro Gomes e Roberto Cláudio lideravam o campo adversário, deixando evidente a divisão política instalada no Ceará. A guerra política também ganhou novos capítulos nas entrevistas concedidas em Barbalha. Ciro Gomes assumiu de forma explícita a defesa da aliança construída com lideranças identificadas com o bolsonarismo no Estado.

Ao responder críticas de Camilo Santana, Ciro argumentou que seu critério é a honestidade dos aliados e não a posição ideológica. A declaração marca uma mudança importante no discurso político do ex-presidenciável, que durante anos foi um dos principais críticos do bolsonarismo no país. Agora, aposta numa ampla frente de oposição, envolvendo nomes como Capitão Wagner, Roberto Cláudio e André Fernandes, para enfrentar o PT no Ceará.

Do outro lado, Camilo Santana elevou o tom do confronto. Além de reforçar a candidatura à reeleição do governador Elmano, anunciou publicamente que trabalha para ter o senador Cid Gomes como candidato ao Senado Federal.O anúncio teve um efeito imediato: aumentou a tensão com o deputado federal Júnior Mano, que também reivindica uma vaga na chapa majoritária. Ao citar Cid como candidato definido e colocar Eunício Oliveira e Chiquinho Feitosa entre as alternativas para a segunda vaga, Camilo deixou claro o veto a Júnior Mano, que não está entre as prioridades do núcleo político do governo.

A reação veio poucas horas depois. Júnior Mano divulgou vídeo reunindo o apoio de 36 prefeitos e um vice-prefeito, numa demonstração de força destinada a pressionar o Palácio da Abolição e impedir que sua candidatura seja descartada.O movimento cria um novo problema para Cid Gomes. Se aceitar disputar o Senado, enfrentará resistência de um aliado que afirma possuir compromisso político para ocupar a vaga. Se desistir, enfraquece o projeto defendido por Camilo Santana.

Enquanto isso, Elmano aproveitou a agenda no Cariri para reforçar sua condição de candidato natural à reeleição. Ao lado de Camilo e do ministro José Guimarães, anunciou investimentos na saúde, entregou o PET-Scan Digital e reuniu dezenas de prefeitos e parlamentares em um almoço político que teve evidente caráter de demonstração de força. O saldo do fim de semana é claro: a disputa eleitoral de 2026 já saiu dos bastidores. Em Barbalha, houve confronto de narrativas, troca de ataques, disputa por espaços na chapa governista e embate direto entre os grupos liderados por Elmano e Ciro. A campanha ainda não começou oficialmente. Mas a guerra política no Ceará já está em pleno andamento.

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