Cariri ganha protagonismo em ofensiva para recuperar fósseis
Brasil amplia ações para recuperar fósseis levados ilegalmente do Cariri
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Robson Roque
25/05/26 17:30

A região do Cariri voltou ao centro do debate científico internacional após o avanço das ações de repatriação de fósseis brasileiros levados ilegalmente para o exterior. Considerada uma das áreas paleontológicas mais importantes do mundo, a Bacia do Araripe concentra descobertas de relevância global. Hoje, ela é alvo de cerca de 20 negociações, conduzidas pelo governo brasileiro, para recuperar patrimônios espalhados por ao menos 14 países. 

Entre os casos mais recentes está o acordo firmado entre Brasil e Alemanha, para devolver o dinossauro Irritator challengeri, retirado ilegalmente do Cariri e mantido desde 1991 em um museu alemão. Também retornaram ao país, nos últimos anos, o dinossauro Ubirajara jubatus e 45 fósseis originais da região que estavam na Suíça.

O diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, Allysson Pinheiro, detalha que há negociações em andamento com diversos países. “Há vários outros materiais que estão sendo negociados com a Alemanha, e há patrimônios do Brasil em quase todos os continentes”, revela.

A paleontóloga Aline Ghilard alerta para o impacto do chamado colonialismo científico. “A maior parte dos museus europeus está recheada com materiais de territórios que foram colônias ou que têm sido, até hoje, explorados numa lógica de assimetria de poder”, declara.

Reconhecida pela UNESCO como geoparque mundial desde 2006, a Bacia do Araripe fortalece o Cariri como referência internacional em paleontologia, turismo científico e preservação do patrimônio natural.

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